Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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Leveduras associadas a abelhas-sem-ferrão (Hymenoptera: Apidae: Meliponinae) e plantas forrageadas no Pantanal do estado de Mato Grosso, Brasil
Diôgo Januário da Costa Neto, Marcos Antônio Soares

Última alteração: 25-09-17

Resumo


As abelhas-sem-ferrão são consideradas polinizadoras naturais dos ecossistemas tropicais e subtropicais, por serem forrageiras do pólen e néctar das angiospermas. Durante o forrageamento, leveduras que habitam os substratos visitados por abelhas podem ser vetorizadas e colonizarem regiões dentro da colmeia. O projeto de tese tem por objetivo Inventariar e monitorar a composição de espécies de leveduras associados a abelhas sem ferrão no Pantanal de Mato Grosso, Brasil e plantas forrageadas, verificando a similaridade de espécies de leveduras presentes no néctar, substratos dentro da colmeia, intestino e larvas de abelhas; Se espécies especificas de leveduras presentes no néctar de plantas forrageadas atraem abelhas para as flores; Se espécies específicas de leveduras presentes no saborá e mel apresentam traços funcionais de interesse para abelha. Para isso, um levantamento de criadores de abelhas-sem-ferrão (meliponicultores) será realizado na região do Pantanal de Mato Grosso para saber quais abelhas nativas estão sendo criadas. Enxames de abelhas nativas serão capturados, através da instalação de armadilhas em regiões com vegetação preservada no Pantanal de Mato Grosso e na região urbana de Cuiabá, utilizando iscas-odores de garrafa PET com solução atrativa (60% própolis, 60% cera, etanol combustível 96%), após serem capturados os enxames serão transferidos para caixas racionais e realizadas amostragens periódicas. As caixas com abelhas serão instaladas em três áreas que apresentam dominância da espécie vegetal Combretum lanceolatum Pohl ex Eicher, sendo em Poconé-MT e Santo Antônio do Leveger-MT. Um estudo da frequência de visitação de abelhas em flores de C.lanceolatum será realizado ao longo do período de floração, para saber dentre os visitantes o que apresenta a maior frequência de visitação. Leveduras serão isoladas das pernas de abelhas campeiras, do mel, saborá, do intestino de abelhas adultas e larvas ao longo de um ano, e do néctar de C.lanceolatum durante o período de floração, utilizando o meio de cultura YMA (0.3% extrato de levedura, 0.3% extrato de malte, 0.5% peptona, 1% glicose, 2% ágar) acrescido de 0.01% tetraciclina, sendo identificadas por métodos moleculares utilizando os primers NL-1 e NL-4. Leveduras serão testadas quanto a produção de enzimas hidrolíticas, fermentação de açúcares, e crescimento na presença de compostos voláteis e diferentes temperaturas. As leveduras que apresentarem maior dominância entre os isolados, serão utilizadas no teste de atratividade sendo inoculadas em solução de açucares (33% sacarose, 16% glicose e 16% frutose) em eppendorfs dispostos no ambiente próximos as caixas.  Análises físico-químicas (pH, acidez, umidade e açucares redutores) do mel, néctar e saborá serão realizadas utilizando metodologias do Instituto Adolfo Lutz, para relacionar a presença de leveduras com as características do substrato. Foram localizados 14 meliponicultores nos municípios de Cáceres (6), Cuiabá (4), Várzea Grande (1), Santo Antônio do Leveger (1), Poconé (1) e Glória D’Oeste (1), sendo as abelhas mais frequentes a jatai, uruçu amarela, mandaguari, borá e boca de renda.