Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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A prática solidária luterana, no Sínodo Mato Grosso: saberes pedagógicos e teológicos.
Teobaldo Witter

Última alteração: 28-09-17

Resumo


Resumo: A presente pesquisa busca compreender a gêneses da prática solidária luterana, nas dimensões da pedagogia, educação e teologia.  A educação e o cuidado com as questões sociais da vida é a gênese da comunidade luterana. Já nas primeiras comunidades que se constituíram no Brasil, a partir de 1824, e das que se constituíram, no Mato Grosso, a partir de 1972, a dimensão da educação e da solidariedade estavam sempre presentes. “Ao lado da igreja deve ter uma escola”, diziam. Seu apoio à educação pública é sem restrição. O processo da construção do pensamento crítico da prática teológico de solidariedade, na Igreja, acontece em dinâmicas das lutas dos movimentos sociais e eclesiais.  Tem olhares para o cuidado com a vida e a gestão de rede, na dimensão solidária e pedagógica. A área geográfica da presente pesquisa corresponde ao Sínodo Mato Grosso, incluindo Cuiabá, ampliada pela abrangência da paróquia do mesmo nome, no município de Cuiabá, circunvizinhança e no Mato Grosso. O recorte temporal é delimitado pela decisão conciliar da igreja em acompanhar os povos migrantes para o Norte e Centro-Oeste, em 1972, em Panambi, RS, e pela realização de seu XXII Concílio Nacional, no ano 2.000, em Chapada dos Guimarães, na paróquia de Cuiabá. Compreende o período de migrações intensas para Norte e Centro-Oeste, quando Cuiabá foi a principal rota de passagem de migrantes. É tempo de conflitos na ocupação do solo, entre posseiros, indígenas, agropecuaristas e novos compradores de terra que foram, na maioria dos casos, empurrados pela mecanização e concentração da terra no Sul do Brasil e pelo incentivo do Governo Militar em ocupar as terras da Amazônia e do Cerrado por agricultores do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil. Propomo-nos a “olhar na perspectiva dos maltratados, dos sofredores”, Enrique Dussel e Capistrano de Abreu, na compreensão teológico-mística de Bonhoeffer e outros teóricos da Teologia da Libertação. Cuiabá é palco de lutas por espaços e oportunidades, sendo expressão do desejo de ganhar dinheiro. Agentes do Estado se aliavam às forças dominantes da sociedade, promovendo violências e mortes. Nestes processos, pessoas e povos foram atropelados e vitimados. A realidade leva a muitas reflexões em busca de transformações da realidade. Como se dá a educação, também, Teológica, de dentro para fora, na compreensão Bonhoeffer (Teológica) Freire e Merleau Ponty (Pedagógica e Fenomenológica), proporcionando reconhecimento e libertação? Este fazer Teológico ajuda no ensejo de tornar-se pessoa (Roger), “do ser no mundo, do ser com o mundo, do ser engajado”, do qual fala Merleau Ponty? Ocorreram, na Igreja, embates teológicos e pedagógicos que questionavam a prática, o ensino, a pregação social e pastoral, na procura pela visão ontológica do “ser mais”, do ser livre. Percebe-se que esta pesquisa é necessária para compreender um pouco mais as especificidades que envolvem essa Pedagogia e Teologia, e poderá servir como fonte de conhecimento para áreas acadêmicas científicas e a comunidade em geral, bem como, apresentar reflexões, com o intuito de contribuir para possíveis formulações de políticas públicas de direitos humanos.

Palavras: Comunidades luteranas; educação; solidariedade