Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
A ÁGUA E A CARTOGRAFIA EDUCATIVA NOS CLIMAS DE TRÊS TERRITÓRIOS GEOGRÁFICOS
Giseli Dalla-Nora

Última alteração: 24-09-17

Resumo


As pontes simbolizam o diálogo, e busquei construir vários ponteares na construção desta tese, como a relativização do EU-ISOLADO à pesquisa em grupo por meio de um NÓS-COLETIVO, bem como a essência da geografia, hoje impregnada de culturas pedagógicas nas vivências, saberes e sentimentos da educação ambiental. O trilhar dessa pesquisa é resultado de ponteares alicerçados nos princípios da justiça climática, compreendendo as diferentes percepções sobre o clima em 3 territórios diferentes, que tinham características da água doce, da água salgada e da escassez da água. Para estes contextos, foram privilegiados pequenos territórios geográficos: no Pantanal mato-grossense de abundantes corpos de água doce [agricultores de São Pedro de Joselândia]; no Cerrado do centro-oeste brasileiro já com escassez da água [agricultores e moradores do quilombo Mata Cavalo]; e na porção norte e marítima da Espanha [pescadores e trabalhadores do mar que habitam a Galícia]. Ouvindo histórias e contando outras, busquei construir mais pontes de diálogos entre a educação ambiental e a justiça climática, dimensões bastante ausentes nos estudos sobre as mudanças climáticas, principalmente nos marcos mundiais propostos pela Organização das Nações Unidas. A metodologia deste trabalho é a Cartografia do Imaginário Satiana como orientação para o percurso da pesquisa e posicionamento político.  A metodologia adotada é uma forma de interpretar os fenômenos, de compreender que as escolhas ideológicas não são neutras, elucidando detalhadamente os territórios de pesquisa com estudos de caso, dialogando sobre as experiências e vivências. Na cartografia dos resultados, a escassez da água é percebida pelos habitantes pantaneiros como ameaça das roças, já que a mudança nos regimes das chuvas já vem forjando alterações nas paisagens da água doce. Nos ponteares construídos no cerrado, o aumento da temperatura e a escassez da água potável são as injustiças climáticas que prejudicam também as roças, além da alteração dos hábitos alimentares e os agravos da saúde.  Observamos ainda que o acesso a água está vinculado aos poços caipiras e artesianos, que num futuro próximo, podem acirrar mais ainda o conflito socioambiental já existente na localidade. O quilombo Mata Cavalo possui outros dilemas relacionados à condição étnico-racial, que agrava mais a situação de manejo de seus territórios. Discuto também as impressões sobre a Galícia, território da água salgada que tive a oportunidade de explorar durante o doutorado sanduíche. Conheci as “artes de pesca”, formas de pesca específicas para cada tipo espécies, e de como a vulnerabilidade dos pescadores e trabalhadores do mar está presente quando exploramos as mudanças climáticas. O acesso a água potável ainda não se constitui como uma preocupação, entretanto as mudanças nas águas dos oceanos o são.  Neste pontear, minhas percepções evidenciam as injustiças climáticas nos territórios de pesquisa, e para além de propostas de mitigação e adaptação, outras pautas de resistência, lutas e utopias merecem destaque à escassa literatura sobre justiça climática e educação ambiental.