Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, IX Mostra da Pós-Graduação

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Guiratinga: um estudo da espacialidade local
Adinael Junhor Pereira da Trindade, Antonia Marilia Medeiros Nardes

Última alteração: 26-10-17

Resumo


Nosso estudo propõe uma análise da evolução urbana da cidade de Guiratinga-MT, visando periodizar as fases de desenvolvimento, de evolução/involução da cidade, buscando identificar as causas e os agentes que influenciaram esse processo, bem como, as interações entre os projetos de ocupação e desenvolvimento regional implantados no Mato Grosso, a expansão da rede de cidades, os novos arranjos políticos e econômicos, e outras mudanças estruturais que possam ter relações com o declínio político social e econômico da cidade de Guiratinga. Para alcançar os objetivos propostos foram elaboradas seis etapas metodológicas: Pesquisa Bibliográfica, Pesquisa Documental, História Oral, Trabalho de Campo, Construção dos Mapas Temáticos e Elaboração da Periodização. Entendemos as cidades como produtos sociais, que surgem das mais diversas necessidades humanas, como segurança, abrigo, convívio social, serviços, indústrias entre outras. Como construção social as cidades possuem uma dimensão histórica que articulam a categoria tempo-espaço, na qual o passado é condição sine qua non para compreensão do estágio atual das cidades. Assim, as análises perpassam o campo histórico, envolvendo também uma discussão teórica com diversas áreas do conhecimento como a Geografia, Antropologia, a Economia, a Política, a Sociologia e outras, sem as quais tornariam parcial a análise geográfica, pois as cidades são primeiramente uma construção humanas. A partir de estudos desenvolvidos identificamos até o momento quatro fases vivenciadas pela cidade: Fase do Garimpo de 1920 a 1938 – Nessa fase a cidade é fundada em decorrência da necessidade de suporte a atividade de extrativismo mineral que se proliferava principalmente no vale do rio das Garças.  Ao longo dessa fase surgem os primeiros estabelecimentos comerciais, pousadas, prostíbulos, e diversas outras atividades inerentes ou decorrentes de áreas de garimpo/mineração. Fase consolidação de 1938 a 1966 – A consolidação das atividades de extrativismo fomentou o surgimento de bancos e órgão de serviços públicos como correios, cartórios, hospitais, escolas entre outros. A cidade já possuía um setor de comércio consolidado e o setor de serviços começa a ganhar maior importância. Fase de serviços de 1966 a 1990 – Fase em que a cidade passa a desempenhar também a função de centro urbano de serviços, principalmente nas áreas educacionais e de saúde, com a construção do hospital Santa Maria Bertila, que era o centro de uma “rede” construída pela Igreja Católica na região. Nesta fase ocorre a modificação gradual da base econômica local como ênfase aos serviços de natureza médico-hospitalar, centrados no Hospital Santa Maria Bertila.  Fase de estagnação a partir de 1990 – Nessa fase a atividade dos garimpos já está em franco colapso com peso nulo na economia local, além da promulgação da Carta Constitucional de 1988, que universalizou os serviços de educação e saúde, após a qual o poder público articulou uma rede muito mais ampla, promovendo a decadência do setor de serviços que davam sustentação econômica. O reordenamento da infraestrutura socioeconômica mato-grossense promoveu a expansão da rede de cidade, mas favoreceu o declínio das cidades do segundo ciclo do diamante que entraram em franco processo de estagnação com a redução dos serviços ofertados a população.

Palavras Chave: Guiratinga.  Economia.  Periodizações.