Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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PROBLEMATIZANDO A PRESCRIÇÃO PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA NA POLÍTICA CURRICULAR EM MATO GROSSO
EUDES ARRAIS GOIS

Última alteração: 19-09-19

Resumo


Esta pesquisa tem como tema a política curricular para a matemática e parte da problematização da racionalidade prescritiva em curso no cenário educacional, mais especificamente na rede estadual de educação de Mato Grosso. Com a perspectiva de que a escola é um espaço político que excede às tentativas de controle curricular, defende que ela produz política para além da previsibilidade. Demonstrar isso é um modo de interrogar a lógica de centralização curricular que nega a educação como espaço de produção da diferença, das subjetividades. A investigação se insere na linha de pesquisa “Formação de professores e políticas públicas educacionais” do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da Universidade Federal de Mato Grosso. O contexto de interesse da pesquisa tem sua constituição histórica marcada pelo reformismo que assiste o Brasil na década de 90, a um contexto de crescente controle curricular da escola via tentativa de uniformização do conhecimento a ser ensinado-aprendido, uma série de questões se tornam importantes: como os professores significam termos centrais da política para o ensino da matemática em suas práticas? Como a centralização curricular é interpretada pelos professores? Como se dá a produção curricular em Matemática, minha área de atuação como professor do ensino fundamental na rede estadual de educação? Que sentidos de educação e de currículo são produzidos no espaço escolar neste processo? De tal forma, esta pesquisa se orienta pela seguinte problemática: como os professores produzem currículos em um contexto de amplificação da prescrição curricular? Embora o estado de Mato Grosso atue em consonância com a política de Base Nacional Comum Curricular que investe no controle do que os professores ensinam, a política não cessa no momento em que os textos políticos são definidos/assinados. Diante do exposto, o objetivo deste estudo é entender como os professores dos anos finais do ensino fundamental produzem currículos (política curricular) em um contexto de amplificação da prescrição, focando especialmente os sentidos de educação e de educação matemática. Os objetivos específicos da pesquisa são: a) Analisar como a política curricular assinada pela SEDUC (MT) é concebida pelos professores no contexto da escola; b) Investigar como os professores de Matemática produzem currículos e c) Discutir analiticamente as implicações de se produzir política curricular na escola no contexto da prescrição. A metodologia da pesquisa tem por abordagem o ciclo de políticas de Stephen Ball, na direção de compreender sentidos de educação e de educação matemática no contexto da prescrição curricular. A pesquisa assume a perspectiva pós-estrutural de currículo, ancorada em pesquisadoras como Elizabeth Macedo, Alice Casimiro Lopes e Érika Virgílio Rodrigues da Cunha, que discutem currículo como prática discursiva, apoiadas em Ernesto Laclau e Chantal Mouffe. Para a discussão sobre Educação Matemática, trago como base teórica D’Ambrósio, Fiorentini e Lorenzato, Godoy, Ortigão, Bicudo e Borba, David e Moreira, Valente, que defendem a matemática escolar numa perspectiva crítica. Uma das finalidades da pesquisa é defender e propor alternativas de produção curricular em matemática que considerem a escola como um espaço político ativo que produz política.


Palavras-chave


Política de Currículo. Educação Matemática. Sentidos de Educação e de Educação Matemática.