Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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PSICOLOGIA PRETA E AFETOS: UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA AFROPERSPECTIVISTA
Ariane Silva

Última alteração: 19-09-19

Resumo


A problemática do racismo na sociedade brasileira se desvela como um problema estrutural que acomete todos os setores sociais, inclusive, o sistema educacional. A população estudantil que enfrenta os maiores índices de evasão e de baixo rendimento escolar é composta majoritariamente por afrodescendentes. Práticas de supressão dos povos oprimidos no período colonial são heranças que culminam no cenário de desigualdades educacionais e sociais da atualidade, pois, além da evasão escolar, os números de letalidade entre jovens negros apresentam números alarmantes. A promulgação da Lei nº 10.639/2003, que versa sobre as diretrizes curriculares para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, e da Lei 11.645/2008, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e cultura afro-brasileira e indígena”, são expressões de uma política que visa reduzir a desigualdade racial pela transformação do ensino em suas bases curriculares. A partir dessas evidências, nesta pesquisa questionamos se as relações afetivas interpessoais interferem na manutenção do racismo escolar entre e contra crianças negras. Para tanto, a metodologia utilizada é a Narrativa Afrocêntrica que visa compreender a ontologia do negro no território brasileiro desde sua ancestralidade africana pré-colonial até a atualidade. Utilizando o conceito de maafa, que identifica a escravidão como o grande holocausto e a colonização como um processo de ruptura do legado africano que trouxe miséria e destruição para o povo negro, investigaremos qual a influência do afeto na constituição psíquica da criança negra a partir de autores do campo da educação, história, filosofia e psicologia que têm epistemologias centralizadas na agência africana. Os resultados preliminares demonstram que as crianças negras devem ser tratadas a partir de sua cosmogonia que é da ordem da sensibilidade e não da racionalização. A dimensão da cura contra o auto-ódio está na dimensão das relações humanas. Nossa visão propositiva é de que o afeto em afroperspectiva é um caminho da pedagogia do sensível que visa pensar a restauração comunitária do povo negro no ambiente escolar para além das bases curriculares. Investigar as narrativas das e sobre as crianças negras no espaço escolar é, portanto, investigar estruturas sociais e suas relações de poder que operam no campo das desigualdades raciais. Ao redirecionar as bases curriculares, mas não redirecionar os olhares nas relações cotidianas, a política escolar deixa de cumprir sua proposta de sensibilização e a escola continua a ser um espaço de manutenção e reprodução de relações de dominação como raça, classe, idade e gênero.


Palavras-chave


psicologia; afroperspectiva; educação.