Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Crises “Existenciais” em Filosofia Analítica
Eduardo Moreira Lustosa

Última alteração: 08-10-19

Resumo


Ao final de nossa explanação, esperamos demonstrar como o estranhamento com nomes que nos remetem a entes imaginários já vem, pelo menos, desde Parmênides, tendo íntima relação com o seu “não ser” e com seres abstratos, como Deus, que Santo Ancelmo não logrou provar a sua existência com o argumento ontológico, pois Kant mostrou o erro em predicar a existência como um atributo.

Já Meinong teve o mérito de por às claras a intencionalidade de declarações direcionadas a coisas inexistentes e criar sua ontologia com seres existentes e subsistentes. Sem embargo, conforme conhecida crítica de Russel, sua teoria resulta em contradição ao aceitar que de não seres seja possível resultar proposições verdadeiras e, além de tudo, atribuir propriedades a não seres resultaria, paradoxalmente, em sua existência.

Teorias descritivas como de Russel e Quine, por seu turno, são engenhosas e interessantes como método lógico de análise do pensamento, todavia incorrem em evidente exagero e a artificialismo ao pautar uma ontologia apenas em descrições de propriedades e relações entre entidades ou reduzir essas relações a teorias dos conjuntos. Quine, vale lembrar, chega ao extremo de identificar o ser ao valor de uma variável, o que nos parece uma definição empobrecedora, pois muito significado relevante do ser fica de fora deste conceito. Temos como mais familiar e mais verdadeiro falar em nomes e símbolos, mesmo que nos remetam a entes fictícios. Por isso pensamos que, apesar dos esforços desses teoristas, entes que já alarmavam os estudiosos desde a Idade Antiga, como o não ser de Parmênides, seres imaginários e entes abstratos ficam mal conformados nas teorias descritivas.

De resto, Kripte mostra o fracasso dessas teorias, pois descrições imprecisas, incompletas e que apontam para o nada são contra intuitivas e insatisfatórias. Como se não bastasse, não se adequam à uma lógica modal de mundos possíveis. A solução que Kripke apresenta é uma teoria pautada na designação rígida de nomes próprios em qualquer mundo possível e numa cadeia causal dos símbolos ligados a um nome desde o batismo.

É evidente que a teoria de Kripke, depois de mais de 40 anos também sofreu várias críticas e lógicos e linguistas recentemente criaram explicações mais sofisticadas ainda, mas preferimos ficar por aqui e desenvolver essas ideias em uma nova oportunidade.


Palavras-chave


Filosofia Analítica, Lógica, seres ficcionais, não-ser