Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Olhares para uma literatura negra: Memórias de infância em perspectiva
Silva Santos

Última alteração: 19-09-19

Resumo


A literatura, além de se apresentar como produto estético, fornece possibilidades de análise dos aspectos históricos, filosóficos, psicológicos e políticos. Nesse sentido, caracteriza-se como um dos territórios em que são produzidos e perpetuados estigmas e preconceitos, marcado pela ampla predominância de homens brancos nas posições de protagonista ou de narrador, postos como referência universal para outros grupos não brancos. Por sua vez, a literatura negra surge a partir da rejeição do estereótipo e da atribuição da identidade do negro pelo outro, de modo a dar espaço ao negro como sujeito do seu próprio discurso e de sua ação no mundo, afirmando-se como um sujeito que se reivindica negro e assume seus posicionamentos políticos e ideológicos. Nessa acepção, a literatura negra cria outra escrita e outro olhar. Diante disso, cabe também pensar as crianças a partir dessa perspectiva, pesquisar e dar visibilidade a uma infância narrada nos termos de uma literatura negra, suas vivências com as estruturas e as dinâmicas com as quais interage no seu cotidiano, bem como seus processos educativos. Desse modo, a presente pesquisa visa analisar as memórias de infância, na obra Olhos D’água, de Conceição Evaristo, com base nas seguintes questões: que experiências de infância são narradas na obra de Conceição Evaristo? Que processos educativos, presentes na obra, se destinam e são vividos pela infância? Qual a condição da infância nessa organização social, a sua relação com os adultos, suas interações e apropriações das divisões de papéis, práticas e espaços? Assim, as narrativas sobre a infância no escopo da obra Olhos D’água, de Conceição Evaristo, livro que conta com quinze contos, compõem o corpus desta pesquisa. Como aportes para a análise da obra, temos pesquisadores do campo teórico da literatura negra, como Eduardo Assis Duarte e Luiz Silva Cuti.  Para a compreensão da memória, disporemos dos autores Walter Benjamin e Jeanne Gagnebin. A interseccionalidade apresenta-se como outro referencial teórico-metodológico importante, com base em autoras, como: Angela Davis, bell hooks, Gloria Anzaldua, Kimberlé Crenshaw e Patrícia Hill Collins, Carla Akotirene, Djamila Ribeiro, Joice Berth e Sueli Carneiro. Cabe destacar que, nessa escrita negra e feminina, Conceição Evaristo debruça-se sobre temas, como as brincadeiras de crianças, trabalho e prostituição infantil, amor e rejeição aos filhos, natalidade infantil, lealdade e cumplicidade das crianças.

Palavras-chave


Infância; Literatura Negra; Memória