Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO: ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A REPRESSÃO NO PROCESSO EDUCATIVO E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA O MAL ESTAR NA ATUALIDADE
Rafaela Alves Scaramal

Última alteração: 19-09-19

Resumo


Qual a missão da Educação? Como chegar a essa missão? Que caminhos percorrer? Quais os obstáculos encontrados? Como lidar com eles? Quais as condutas mais adequadas? Como formar adultos psiquicamente saudáveis? Pais e educadores deparam-se com estas e outras questões no processo de educação. Neste trabalho, pretendeu-se estudar o olhar da psicanálise sobre a educação. Este olhar traz em Freud a visão dualista de ser humano, composto por corpo e mente, bem como o foco no peso que o inconsciente tem na subjetividade. Com isso, analisa o jogo de forças que ocorre no psiquismo e as relações de conflitos e resistências nele presentes, principalmente os conflitos que tangem à relação instinto versus cultura, a luta travada na tentativa de atender tanto as demandas individuais quanto as demandas sociais, que começam na educação, seja ela familiar, escolar, cultural ou social. Analisa também os elementos e mecanismos para lidar com o mal-estar da vida em civilização. A psicanálise também considera que as experiências vivenciadas na infância são de influência significativa para o percurso da vida adulta. E é exatamente pelo peso significativo da infância na constituição da subjetividade que se pode atribuir o consequente peso da educação. O percurso desde o nascimento até a maturidade, objeto geral da preocupação educativa, será descrito pela psicanálise como necessariamente tortuoso e aberto quanto a seu fim. Para embasar o estudo, foram selecionados três escritos de Freud, elegidos pelas suas respectivas contribuições à educação: Três Ensaios Sobre a Teoria Sexual (1905); Moral Sexual “Civilizada” e Doença Nervosa Moderna (1908); e O Mal-Estar na Civilização (1930). O intuito é analisar sua proposta a respeito do desenvolvimento psíquico, da vida em sociedade, e do constante conflito que o ser humano atravessa na tentativa de atender às demandas individuais e coletivas, que muitas vezes são contraditórias. Em Três Ensaios Sobre a Teoria Sexual, escrito em 1905, Freud discorre acerca da sexualidade infantil, que escandalizou sua época, bem como da metamorfose da puberdade. Em Moral Sexual Civilizada e Doença Nervosa Moderna, escrito em 1908, Freud expõe a luta entre a civilização e a satisfação pulsional. Em O Mal-Estar na Civilização, de 1930, discorre sobre a dificuldade do homem em conciliar seus instintos básicos com as demandas da civilização, concluindo que a cultura e a civilização tendem a produzir um mal-estar nos seres humanos. Para ele, a repressão de impulsos e desejos pode gerar recalques e neuroses, e o convívio com a sociedade moderna e a moralidade podem trazer à tona tais desconfortos. Em contrapartida, não se adequar a este convívio pode trazer limitações sócio-culturais. Diante de tais insurgências, paira a expectativa de que a educação, em especial a infantil, seja instrumento de formação de cidadãos capazes de lidar com os desejos (e conquistá-los) e suas frustrações. Destarte, faz-se importante explorar os caminhos mais adequados pelos quais o processo educativo deve percorrer, com ênfase à dinamicidade presente neste percurso. Por fim, pretende-se pensar uma educação suficientemente boa para formar seres humanos psiquicamente saudáveis e minimamente preparados para o convívio social.


Palavras-chave


Psicanálise, Educação, Repressão, Mal-Estar, Civilização