Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Saberes de costureiras: Tecnologia e precariedade no ambiente de oficinas em Cuiabá, Mato Grosso
Camila Barbosa Pasinato

Última alteração: 13-10-19

Resumo


O projeto de pesquisa propõe investigar saberes de costureiras na relação direta com os processos de consumo de tecnologia, tendo como foco oficinas instaladas e em funcionamento na cidade de Cuiabá, capital de Mato Grosso. Oficina (ou “facção”) é o nome popularmente atribuído a confecções caseiras, em geral de estrutura familiar, instaladas em residências, que funcionam diante da flexibilização do mundo do trabalho e segundo condições de produção impostas pelo comércio ou indústria de confecções. Precariedade do mundo do trabalho e modernização tecnológica constituem uma interface que problematiza saberes domésticos como condição de produção de renda e espaço privado do lar em sua transformação em espaço de trabalho. O consumo tecnológico implica na aquisição de máquinas de costura, impressoras, bordadeiras, máquinas de corte, o que demanda a produção de novos saberes e desenvolvimento de habilidades. No sistema econômico, saberes das costureiras de oficinas constituem condição de pensamento e produção do campo da moda, mesmo que em meio à informalidade e à precariedade do sistema produtivo, como a falta de leis trabalhistas específicas que se referem ao fenômeno da terceirização das facções. Neste aspecto, considera-se a dimensão comunicacional das práticas culturais, em que informações são produzidas, processadas e ressignificadas como saberes. Como recurso metodológico para se extrair as informações necessárias para a construção da tese, foi utilizado a pesquisa de campo e entrevista qualitativa em profundidade com três costureiras. Foram utilizados trechos em citações diretas de modo que explicitassem as condições em que vivem. A pesquisa possui como suporte teórico obras de autores como Geertz, quando analisa as questões de cultura e homem, Scott, Flax, Biroli e Kergoat, quando se analisa as questões de gênero, Agnes Heller e o conceito do cotidiano, que é aplicado à rotina das oficinas, André Gorz e Ricardo Antunes na questão da precarização e flexibilização do trabalho, além do conceito de tecnologia, de Álvaro Vieira Pinto. Busca-se compreender a interface entre produção de saberes e processos de tecnificação na experiência de modernização no setor de confecções. Tese de doutorado em desenvolvimento na Linha de Pesquisa em Epistemes Contemporâneas do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Federal de Mato Grosso (PPG ECCO-FCA-UFMT).

 


Palavras-chave


Costureiras, Cuiabá, oficinas, saberes