Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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AGRONEGÓCIO E A TERRA INDÍGENA MARÃIWATSÉDÉ EM MATO GROSSO: CONFLITOS E IMPLICAÇÕES NO TERRITÓRIO
Edmilson dos Santos Almeida

Última alteração: 23-09-19

Resumo


No entendimento científico, o homem não surgiu na América, portanto veio de outros continentes. O contato do índio com o não índio na constituição do território brasileiro, além de caracterizar uma grande diversidade cultural e socioambiental implica em questões de luta pelo direito a posse do território, que se perpetuam até os dias de hoje. No caso do Centro-Oeste brasileiro a vocação agrícola foi potencializada pelas políticas públicas de gestão e modernização do território, mas devido ao avanço técnico-científico-informacional o agronegócio teve uma forte expansão transformando rapidamente a natureza. Nesse processo de ampliação territorial do agronegócio as Terras Indígenas são consideradas uma das últimas fronteiras agrícolas do estado, portnto, elas se colocam como barreiras naturais ao agronegócio. Esses fatores contribuíram para a evolução do desmatamento e da produção agropecuária na Terra Indígena. Conforme mostra o Mapbiomas a TI Marãiwatsédé de 1985 a 2018 houve um aumento de 285% no desmatamento. Inclusive, teve recentemente parcela de sua área utilizada para a agropecuária e, como principal agente de transformação a monocultura da soja. A necessidade de se abordar cada vez mais sobre as questões relacionadas à causa indígena vem sendo foco de discussões pelo capital do agronegócio, envolvendo ainda interesses internacionais e a própria Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que exerce o seu papel constitucional de defender os interesses indígenas. As reflexões desse trabalho iniciam-se a partir dos frequentes conflitos entre proprietários de terras e indígenas no estado de Mato Grosso, e busca entender as implicações geradas pelo agronegócio na população indígena, bem como analisar o movimento dos atores hegemônicos do agronegócio e os conflitos gerados na luta pela terra. Para a análise do estudo será utilizada a categoria de território usado, proposto por Milton Santos, compreendendo como se dá as relações de poder nesse teritório e como isso molda o lugar da terra indígena consolidando o Tekoha, que significa o conceito de lugar pelos indígenas. Portanto, inferimos que a chegada de novos agentes e processos são capazes de (re) criar outra condição de uso do território, como exemplo, observa-se que na área a pecuária teve um papel fundamental, pois, em um primeiro momento ela se estabeleceu como principal forma de ocupação trazendo, posteriormente, a (re) ocupação da terra pela produção de grãos. Assim, o capital associado ao Estado, através dos programas governamentais, ao se projetar no território, favoreceu no passado e continua favorecendo a expansão do agronegócio, o que implica em uma série de problemas às comunidades indígenas, que além da convivência diária em situações de violência, passam a sofrer uma série de problemas sociais e ambientais.


Palavras-chave


Território usado; T I Marãiwatséde; Agronegócio.