Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A PRODUÇÃO ASSOCIADA DO POVO PURUBORÁ, ALDEIA APEROI – RO: “TRABALHO DE GANHAR”, “TRABALHO DE VIVER”, SABERES E RESISTÊNCIA
Anatália Daiane de Oliveira Ramos

Última alteração: 24-09-19

Resumo


O presente texto é síntese de uma investigação científica desenvolvida na aldeia Aperoi, localizada no município de Seringueiras, Estado de Rondônia com o povo indígena Puruborá. Vincula-se ao Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho e Educação (GEPTE) do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O GEPTE realiza pesquisas sobre a Produção Associada em povos e comunidades tradicionais. A Produção Associada tem uma lógica de produzir, distribuir e consumir que se distingue da lógica do capital. Ela pode ser entendida em dois sentidos: a) a criação de redes de solidariedade e de colaboração para garantir a existência a partir do esforço coletivo de pessoas que compõem uma unidade de produção; e b) uma unidade básica da sociedade dos produtores livremente associados na produção. A pesquisa tem como objetivo investigar a produção da vida material e imaterial do povo Puruborá da aldeia Aperoi em Seringueiras, Rondônia e os saberes “resgatados”, construídos e “transmitidos” durante essa produção. O povo Puruborá é um povo indígena do Estado de Rondônia, que foi contatado por Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon em 1909, que, na região do rio Manoel Correia, demarcou o território Puruborá, afixando estacas de madeira no chão. Na década de 1990, esse povo teve sua identidade étnica negada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e foi expulso do seu território tradicional. Este grupo étnico foi reconhecido novamente pela Funai em 2003 e encontra-se na luta pela (re)demarcação do seu território, pelo reconhecimento de sua identidade indígena, pela revitalização de sua cultura tradicional e pela concretização dos demais direitos indígenas por meio do agrupamento de seus membros em torno de áreas adquiridas por eles. Trata-se de uma pesquisa qualitativa fundamentada no referencial teórico-metológico do materialismo histórico dialético e que se utiliza de alguns elementos da pesquisa participante. Como instrumentos de pesquisa recorre-se a análise documental, a observação participante realizada na aldeia Aperoi e registrada por meio de diário de campo, de fotografias e de vídeos, as entrevistas e as oficinas. Realizou-se dez entrevistas com Puruborá maiores de 18 anos e duas oficinas com as pessoas da comunidade. A análise dos dados está acontecendo por meio da triangulação dos dados, articulando-os com o aporte teórico-metodológico e os objetivos da pesquisa. Conclui-se que a produção material e imaterial do povo Puruborá da aldeia Aperoi em Seringueiras – RO se concretiza por meio da Produção Associada, mediante a mobilização, a retomada, o compartilhamento e a reconstrução histórica e cotidiana de uma série de saberes, sejam eles tradicionais – relacionados ao território tradicional, à língua Puruborá, à pintura tradicional, ao uso de plantas medicinais, às festas, à solidariedade, à comensalidade, à reciprocidade etc. – como aqueles construídos após o contato.

Palavras-chave


Produção Associada; Saberes; Povo Puruborá.