Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Masculinidades e feminilidades em memórias de infância: corpos que existem e resistem
Gabriela Paula de Souza

Última alteração: 23-09-19

Resumo


Resumo: A presente pesquisa visa problematizar o discurso de inocência atrelado à infância e o binarismo de gênero como estruturante da matriz discursiva da criança ideal-típica e do telos da vida humana e, com isto, discutir as produções de sofrimentos e violências em virtude de um ideal normativo para existir. Põem-se em questão as crianças que fracassam no cumprimento dessa infância idealizada, em especial, em relação aos gêneros apresentados como normas de vida na cultura. Para tanto, tem-se como objetivo principal analisar memórias de infâncias dissidentes e suas relações com o campo da educação. Tendo como inspiração as coletâneas argentinas Chonguitas: masculinidades de niñas e Mariconcitos: feminidades de niños, placeres de infância, que abordam narrativas de infâncias de homens e mulheres de diferentes países, em grande parte da América Latina, que resistem aos roteiros normativos de gênero, esta pesquisa apresenta como locus o ambiente virtual. Sua estratégia metodológica consiste em uma chamada pública em meios de comunicação virtual (Instagran, Facebook, e-mail), destinada aos/às estudantes universitários, da graduação e da pós-graduação, do Câmpus de Rondonópolis da Universidade Federal de Mato Grosso, para a participação na pesquisa. Será publicado nesses meios um convite para a partilha de experiências de corpos infantis, marcados pela resistência à moldura dos gêneros heteronormativos, por meio de um texto escrito. Nesse convite virtual, constarão: objetivos da pesquisa; condições de participação, nas quais incluirá o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido; e o e-mail para o envio do texto escrito, de uma breve biografia do/a autor/a e de uma fotografia de escolha e preferência do/a participante. A partir do uso de narrativas disponibilizadas virtualmente (via e-mail), busca-se, na particularidade da escrita, das memórias e da nomeação de si, questionar as redes de poderes que se engendram a fim de ordenarem coerência e universalidade na experiência infantil, principalmente no tocante ao gênero e à sexualidade. Como marco de resistência ao esquecimento, as memórias, com base em Walter Benjamin, estão relacionadas aos modos como as vivências do passado atravessam as narrativas do presente, de modo que essas infâncias silenciadas sejam libertas do esquecimento forçado e das inquietações decorrentes desse apagamento. Na tentativa de permitir que outros modos de viver a infância façam parte dos discursos científicos, dos espaços públicos, como a escola, do imaginário social e da política, os referenciais teóricos que embasam a pesquisa se dão nas interlocuções com os/as seguintes autores/as: Judith Butler, René Schérer, Walter Benjamim e Michel Foucault. É no contexto de infâncias normativas, existências anuladas e silenciamentos forçados que esta pesquisa se ancora, a qual tem como pano de fundo o engajamento político e ético com os corpos que importam, com as potências de vida que se dão frente a uma educação opressora. Pontuando a diferença como grandeza, as análises voltam-se para os modos como os regimes de inteligibilidade da vida causam invisibilidades sociais, exclusões, violências e sofrimentos.

 


Palavras-chave


Infância; Memórias; Educação; Gênero