Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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JUVENTUDES NEGRAS: CRUZAMENTOS ENTRE O ESPAÇO TEATRAL E EDUCACIONAL
CAMILA MARIA SANTOS DE PINHO

Última alteração: 23-09-19

Resumo


Pensando em tempos de um boom de informações, crises políticas e econômicas, ser jovem está atrelado a uma conflitualidade de questões subjetivas que se. A presente pesquisa trata sobre o desenvolvimento e formação de jovens negros e tem como foco o que é ser jovem e negro e quais os desdobramentos de sua construção identitária na atual sociedade. O objetivo geral é compreender os processos auto formativos de jovens negros que estão engajados com o teatro atuando, ministrando aulas, cursos e mediando outros espaços de formação como processo de educação. A justificativa deste trabalho parte da emergência em compreender contribuições das narrativas de jovens atores negros e como seu trabalho contribui para a discussão da relação educação e negritude. Investiga-se os entrelaçamentos entre arte, juventude, identidade e educação, a projeção de si por meio da materialidade estética como um conjunto de afirmações que possibilita outras alternativas aos jovens na construção de suas subjetividades e, por conseguinte, de sua politização. Enquanto referencial teórico a pesquisa pauta-se na afro perspectiva e tem por referência Renato Noguera que sustenta o conceito de educação pluriversal que vai orientar a busca por outras epistemologias que contemplem a formação desses jovens. Para compreender as defasagens que as populações negras enfrentam na sua auto formação dialoga-se com Sueli Carneiro cunha sobre o conceito de epistemicídio. Abdias do Nascimento nos ajuda a compreender esse cenário de genocídio brasileiro e assim sustentar a argumentação da urgência em trazer o conhecimento africano e indígena para a sala de aula e para os campos de construção coletiva. Desta forma, essa é uma pesquisa do tipo qualitativa em que foi utilizado a entrevista como instrumento para coleta de dados. Participaram da mesma dois jovens negros, atores e estudantes da Escola de Teatro Municipal da cidade de Primavera do Leste-MT. Por fim, a pesquisa constatou que a ausência, no ambiente escolar, de referências negras positivas, de figuras de sucesso e de afirmação da negritude, constroem um cenário tanto na escola como em espaços coletivos que afetam a constituição da juventude enquanto sujeitos. Em consequência disso mobiliza um silêncio que propaga violências subjetivas, físicas e psicológicas. E a partir das entrevistas conclui-se que esses jovens encontram em outros espaços, como no teatro, locais que vão potencializar uma subjetivação que quebra com o ciclo de auto ódio e de não reconhecimento de si. Apesar de o teatro ainda ser um espaço que está dentro desse ciclo de epistemícidio, a prerrogativa de poder construir uma outra relação com o corpo, de dialogar com o diferente e poder se auto afirmar enquanto homem e negro e ter uma perspectiva positiva a respeito de si é um avanço em contraposição a outros locais – como a escola – que ignoram o racismo enquanto uma violência, e por sua vez silenciam esses corpos e contribuem para um índice de evasão dos mesmos.


Palavras-chave


Juventude, Educação e Racismo.