Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
Educação Escolar Indígena Diferenciada – Língua e Identidade contemporânea de sujeitos diversificados
Amanda Gomide

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Neste trabalho procurou-se apontar um horizonte teórico abrangendo pontos de vista da Linguística Aplicada (LA) e pressupostos da Análise do Discurso (AD) para problematizar questões acerca da representação e identidade nacional indígena, educação escolar indígena diferenciada e soberania linguística. Assim, objetiva-se o estudo de questões envolvidas na indefinição de uma identidade indígena nacional, atual, no interior da Linguística Aplicada, a fim de evidenciar a tradução de posicionamentos antagônicos que discutem a identidade dos povos originários, a educação indígena diferenciada e seus direitos linguísticos. Nesta análise, foi selecionado um corpus documental dividido em duas linhas principais – enunciados que problematizam e refutam a ideia de um sujeito identificado como indígena e que está inserido em ambientes urbanos com práticas coesas com o mundo globalizado, que seja culto, ou seja, que fuja a um estereótipo cristalizado por séculos e que reivindique por demarcação de terras indígenas (TI) e expansão de terras demarcadas; e outros enunciados que defendem a diversidade e a liberdade do indígena de possuir terras, ter o direito e estar em todos os lugares e assumir posições sociais, ter qualquer fenótipo e apresentar-se com variados estilos. Além disso, poder ter um modo de vida heterogêneo com práticas similares aos demais brasileiros, sem ter necessariamente a sua identidade neutralizada ou enfraquecida. Ao evidenciar o processo de tradução de enunciados de campos discursivos antagônicos foi possível perceber que os debates e embates de ideias a princípio, sobre educação escolar indígena diferenciada e, considerando também, os discursos sobre identidade e representação indígena começaram a transparecer como que “argumentos” e “pretextos” para um debate mais profundo sobre soberania territorial, econômica, cultural e linguística. Com a seleção de enunciados presentes nesse universo discursivo, este estudo pretende refletir sobre a influência da linguagem na produção de vulnerabilidade social e de limitação de possibilidades no cotidiano da vida dos sujeitos envolvidos. Existe uma polêmica em torno de questões de identidade, propriedade, produtividade e uso das terras para as práticas tradicionais de subsistência do indivíduo autóctone brasileiro contemporâneo. Nessa esfera de embates os conflitos agrários trazem números alarmantes de mortes, e por isso são exemplos da violência extrema advinda do antagonismo de ideias. Tendo isso em mente, percebe-se a urgência e clamor das reivindicações dos discursos envolvidos, e também por isso é que esse antagonismo deve ser amplamente debatido em buscas de soluções que protejam esses sujeitos vulneráveis, uma vez que a discordância invariavelmente ocorrerá. Então, pesquisar sobre essa conjuntura parece-me pertinente para evidenciar complexidades de situações sem soluções simples.