Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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EDUCAÇÃO DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES SEM TERRA: UM ESPAÇO DE RESISTÊNCIA À COLONIALIDADE E SEUS MECANISMOS DE PODER.
Yohana Marcela Sierra

Última alteração: 24-09-19

Resumo


Esta dissertação foi desenvolvida no âmbito da linha de pesquisa Movimentos Sociais, Política e Educação Popular do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A pesquisa tem por objetivo analisar as iniciativas pedagógicas e educativas desenvolvidas em escolas do campo, coordenadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Mato Grosso, como processos de resistência ante a colonialidade e seus mecanismos de poder. A discussão proposta suscita vários temas relevantes da história educacional camponesa no Brasil, como a transição da educação rural para a educação do campo; a mediação entre o movimento e o governo para a coordenação e o funcionamento das escolas e as práticas educativas emancipadoras implementadas nas escolas dos assentamentos do MS. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, ancorada no pensamento crítico latinoamericano e no paradigma teórico decolonial e conta com os aportes políticos e pedagógicos de Paulo Freire e Roselit Caldart. Foi desenvolvida junto aos professores e gestores da Escola Estadual Florestan Fernandes localizada no Assentamento 12 de Outubro no município de Claudia, Estado de Mato Groso. As ferramentas investigativas foram: entrevistas semi-estruturadas, observação participante e diários de campo. A dissertação está dividida em três capítulos. No primeiro, apresenta uma contextualização teórica sobre a colonialidade, decolonialidade e as propostas decoloniais na percepção de diferentes autores latinoamericanos. O segundo, indica o estado atual da educação rural latinoamericano, com destaque para a Colômbia e Brasil. São tratados os fatores sociopolíticos e econômicos que qualificam a escola rural e o paradigma educativo do campo. O terceiro e último capítulo está dedicado à análise do processo educativo do MST, como movimento social que luta pela reforma agrária popular. Os resultados obtidos possibilitam afirmar que o MST tem um projeto político educacional que logra romper com a estrutura colonial presente nas escolas campesinas por meio de seus princípios filosóficos e pedagógicos, bem como de sua páxis quotidiana. Igualmente, evidência que as mudanças obtidas na educação para a população camponesas no Brasil decorrem das intervenções dos movimentos sociais na agenda educativa e política, especificamente do MST, que contemplou em seu projeto político a criação de uma educação dos camponeses para os camponeses. Os resultados obtidos sugerem uma possível proposta educativa possa ser aplicada em contextos semelhantes, como na Colômbia, onde ainda se mantém muito arraigado o paradigna da educação rural.


Palavras-chave


Educação do Campo. Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra. Colonialidade. Decolonialidade. Práticas Emancipatórias.