Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Entre saberes e fazeres - a construção da identidade na comunidade quilombola Malhadinha no limiar da modernidade em Tocantins
ARIEL ELIAS DO NASCIMENTO

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Esta apresentação faz parte dos resultados parciais da pesquisa em nível de doutoramento em Estudos de Linguagem, dentro da linha de pesquisa Literatura, Sociedade e Identidades, tendo por orientação o professor Renilson Rosa Ribeiro. A pesquisa tem por proposta compreender os processos formativos da identidade quilombola presentes nesta comunidade, localizada na cidade de Brejinho de Nazaré, Tocantins. O ponto central da pesquisa está pautado no argumento elaborado por Boaventura de Sousa Santos, quando se desenvolvem as epistemologias do Sul e com elas as diferenças abissais do reconhecimento do lugar de fala dos atores sociais. Nesta perspectiva, pretende-se avaliar como os diferentes discursos promovem não apenas a fixação de um real desejado, como também a fixação de uma identidade desejada. Isto significa que nem todo discurso oficial representa uma identidade real; uma vez que, ao se considerar os lugares de fala destes mesmos discursos, percebe-se que as ideias formativas estão no pressuposto ideológico de cada uma das visões do mundo. Por esta lógica, percebe-se que a maioria dos discursos promovem leituras que representam o Norte global, não legitimando as experiências e os lugares de fala do Sul global. Os caminhos que perpassam pela produção da identidade tomam cursos diversos, os quais denomino por Aproximações, no momento da produção imagética desta comunidade, e por Fronteiras, no momento da abordagem das produções conceituais. O que nos interessa não está no fato de passar por, mas ser afetado por. Fazem parte deste rol de Fronteiras que afetam, o biopoder, a ecosofia e a mesmidade. Três zonas limítrofes que se encontram em nós, e que se manifestam em contato com o mundo de fora. São as pontes responsáveis pela percepção do Eu-Tu, do Eu-no-Mundo, em outras palavras, do Eu-com-Socialidade. Para além desta produção de formas de ver-o-mundo, ou sentir-o-mundo, dialogamos com os problemas implícitos que surgem em conceitos como resiliência e neocomunidade, uma vez que não apenas mascaram as relações sociais existentes dentro de uma comunidade, mas promovem, por imposição, valores, normas e condutas que não pertencem ao universo identitário desta coletividade. Em outras palavras, entender como os processos de agenciamento coletivo promovem identidades forjadas nos jogos de verdade das relações humanas.


Palavras-chave


identidade, comunidade quilombola, biopoder, ecosofia, mesmidade