Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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PEDAGOGIA DA PRODUÇÃO ASSOCIADA E CULTURA DO TRABALHO. Da terra-trabalho à territorialização dos sentidos na comunidade tradicional camponesa São Manoel do Pari
Cristiano Apolucena Cabral

Última alteração: 24-09-19

Resumo


A comunidade tradicional camponesa São Manoel do Pari, localizada no estado do Mato Grosso - Brasil vivencia tanto em suas unidades produtivas familiares quanto na cooperação destas em trabalhos associados uma produção não-capitalista, rompendo com diversas características do modo de produção capitalista em sua produção, distribuição, circulação e consumo. As leis que determinam o processo produtivo é a coletividade, o cuidado com a natureza, a utilização de saberes tradicionais e da experiência, leis estas que tem por sua vez a determinação histórico-ontológica a satisfação de necessidades materiais e imateriais. Aqui, divisão entre trabalho intelectual e manual, divisão do trabalho, divisão entre os detentores dos meios de produção e da força de trabalho, alienação, mais valia e lucro, produção de conhecimentos com a única intenção de agregar valor ao produto, destruição da natureza etc. não existem, ao menos em sua forma estrutural e determinante na produção material e imaterial da vida camponesa.  Ainda, é desta produção associada que se manifesta a pedagogia da produção associada, em que a coletividade, os saberes politécnico e tecnológico fortalecem a cooperação, a autogestão, autonomia, o conhecimento sobre as diversas atividades e funções no processo produtivo. É com esta produção associada, a produção com base em alguns princípios agroecológicos e a produção de saberes tradicionais e da experiência que a comunidade estrutura uma categoria histórica e pedagógica fundamental à produção e reprodução da existência: a solidariedade entre as pessoas, as suas necessidades, a sua produção e com a natureza. Solidariedade esta que não se reduz a comportamento moral, mas é o que cria sustentação à vida econômica, política e cultural da comunidade. Esta é uma das bases da constituição de uma cultura do trabalho que se contrapõe aos imperativos do capital e, por sua vez, é a composição de significação e relação com o território, o qual condiciona a percepção, os valores, os comportamentos e atitudes e a visão de mundo, superando a relação de mercantilização e expropriação da terra, tornando-a uma terra-trabalho, terra-consumo, terra-moradia, terra-lazer, terra-educação, terra-sagrado. Desta forma, a territorialização dos sentidos se realiza nos espaços de produção e reprodução da vida e, por sua vez, este processo de produção efetiva e concretiza os sentidos no território. Esta pesquisa faz parte de uma pesquisa maior para a elaboração da tese de doutorado e tem por finalidade analisar a produção da existência e a construção do território produzindo uma cultura do trabalho com percepções, significados, sentidos e valores, o qual se observou uma singular, mesmo que, ocasionalmente, contraditória, produção ampliada da vida com características estruturais em oposição ao Capital. Para analisar e compreender estas realidades foi utilizado o método materialismo histórico-dialético o qual analisa esta realidade a partir de sua história concreta, dinâmica, dialética e contraditória e os instrumentos utilizados para acessar estas informações e examinar as vivências e experiências foi a metodologia da pesquisa qualitativa e participante com entrevistas, rodas de conversas, seminários, convivência, e observações da produção e reprodução ampliada da vida.


Palavras-chave


Comunidade tradicional, produção associada, educação, cultura do trabalho, território.