Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A arte de sobreviver entre brechas, violências e ordens.
GABRIELLA SANTOS DA SILVA

Última alteração: 23-09-19

Resumo


Se por um lado uma minoria usufrui do “sistema-mundo-colonial/moderno”(GROSFOGUEL, 2008) numa relação de privilégios, por outro uma maioria massacrante dapopulação sobrevive e convive constantemente em relações coloniais. Nesse sentido, aproposta de minha dissertação é em escrever a partir das minhas vivências enquantomulher negra latino-americana, como a colonialidade afeta o cotidiano das mulheres negrasbrasileiras, visto que os conhecimentos ancestrais e populares estão cada vez maiscaminhando para o esquecimento, o apagamento e à individualização. Já as mulheresnegras permanecem direcionadas pela colonialidade à submissão, às ordens e às violências.Assim sendo, como metodologia recorrerei a “Escrevivência”, método proposto porConceição Evaristo (1980), que consiste em escrever a partir das vivências para provocarincômodo e ocupar espaço na produção científica hegemônica. Como objeto de pesquisatrarei as memórias e experiências que constitui ao longo da vida, juntamente com outrasmulheres negras silenciadas pelo eurocentrismo e racismo epistêmico. A produção daHistória sempre foi pensada pelos colonizadores, de forma a que, as histórias e estórias dosnão-europeus, aqui, especialmente do povo negro brasileiro, foram fadadas aoesquecimento, além de introjetar de modo hegemônico sua cultura, cosmovisão e sentidoàs coisas de acordo com as imposições dos colonizadores. É em meio à essa “colonialidadedo poder” (QUIJANO, 2005) e eurocentrismo que a população negra ao mesmo tempo quese encontra fadada às condições contemporâneas de vida, consegue sobreviver por entre asbrechas do sistema. Nesse aspecto, Ramon Grosfoguel, Boaventura Souza Santos, EdwardSaid, Aníbal Quijano e Frantz Fanon contribuem para pensarmos uma perspectivadecolonial, com saberes que não se restringem a Europa, e que sobretudo, apontamcriticamente para essa colonialidade do ser, saber e poder. Já Kimberlé Crenshaw,Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Neusa Santos, Sueli Carneiro, BeatrizNascimento, e Lélia Gonzales são fundamentais para construirmos perspectivasinterseccionais que não só denunciam a colonialidade, como trazem para a ciência a escritade mulheres negras, contribuindo e nos incentivando a problematizar não só o racismo,mas também as questões de gênero e classe. Dessa forma, este trabalho é um convite à escrita de nossas histórias, de um povo tradicional, ancestral e que ainda (re)existe porentre as brechas e violências coloniais.

Palavras-chave


Mulheres negras; Decolonialidade; Escrevivência.