Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Genealogia Cinza: autobiografia, Derrida e além
Anaise Avila Severo

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Se as questões relativas às condições dos textos autobiográficos partem da centralização de identidades fixas, um caminho empreendido em jogo à questão de uma escritura labiríntica solicita conceitos derridianos para exceder os sentidos do próprio projeto autobiográfico presente no autor. Nessa via, entende-se que as oposições devem estar relacionadas à desconstrução, pois esta solicita e doa crédito a outros gestos autobiográficos apreendidos em uma genealogia. Na tentativa de exceder as estruturas ordenadamente feitas para seu encaixe, essa pesquisa tenta dar conta d'O Cartão-postal, livro que brinca especular um segredo entre plato e Sócrates, como se Freud posteriormente também o fizesse, mas a este arquivo que Derrida concede, os Envios especulam o segredo de um tal qual autobiográfico. Com um movimento profanatório ao longo da pesquisa elaborada, não há uma denúncia de quais autobiografias são mais ou menos relevantes. Ao pontuar tais passagens, dialoga com as autobiografias de Santo Agostinho, Michel Montaigne, Jean-Jacques Rousseau e Friedrich Nietzsche para aproximar, e também afastar, as memórias contidas nessas escrituras a partir da etimologia do radical gen: determinados textos autobiográficos conhecem a si mesmo, outros, inadvertidamente, tornarem-se o que são. Tais deslocamentos são realizados por meio de outros textos dos próprios autobiógrafos — apoiados na extensão de suas produções que não se limitavam ao projeto autobiográfico —, como também por outros autores. Há, contudo, uma indicação de que algumas autobiografias exigem do outro uma demanda maior, pela complexidade de escritura ou pela ruptura com os movimentos anteriormente vigentes. Quer dizer, a cinza é justamente aquilo que sobra quando a própria vida é incinerada, quando a cor da página encontra a cor da tinta, quando Gênesis nos lembrou que somos um eterno retorno, pois ainda que resumidos a algum tipo de pó, somos cinzas de uma memória em acontecimento com o outro.


Palavras-chave


autobiografa; genealogia; Derrida; vida; morte