Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Cartografia do Imaginário das mulheres migrantes: Educação Ambiental e as políticas nas especificidades de gênero feminino.
Denize Aparecida Rodrigues de Amorim, Michèle Sato

Última alteração: 24-09-19

Resumo


O objetivo dessa tese é construir políticas públicas da migração com foco nas mulheres imigrantes, ciente de que estas carecem de processos formativos e meios de “empoderamento” para enfrentar a crise climática, de maneira que seja uma política ancorada nos anseios, medos, desejos e realidades que possam contribuir para a construção destas políticas. Sabemos que a imigração humana tem sido um mecanismo de adaptação diante dos diversos perigos enfrentados ao longo de sua história, tendo atualmente como força impulsionadora os problemas acarretados pelas Mudanças climáticas. A previsão dos cientistas é que em função desse fenômeno, o número de migrantes aumentará entre 150 a 200 milhões até o final do século XXI.  Neste cenário, o Brasil vem se destacando por estar na rota da atual imigração e, Mato Grosso é um dos escolhidos por essas pessoas, passando a abrigar grupos vindos das Américas e da África, começando pelas haitianas que chegaram em decorrência dos efeitos devastadores do terremoto de 2010. Estudiosos destacam nesta atual onda migratória o processo da feminização, pois nesse contexto de mudanças climáticas a mulher é considerada a parte mais vulnerável por inúmeras razões, entre elas a falta de direitos garantidos no país que a recebe como mulher e como migrante. Com isso, nesta pesquisa acreditamos que as mulheres imigrantes trazem uma história de lutas, nas quais destacaremos as de direitos humanos, buscando por relatos de injustiças climáticas e ambientais. Como as injustiças climáticas aparecerem no imaginário das narrativas  sobre direitos das mulheres imigrantes? Então torna-se importante conhecer qual esse imaginário acerca do colapso climático e a busca por direitos e justiça. Os sujeitos são as Mulheres Imigrantes que vieram nessa nova onda migratória do Haiti, as recém-chegadas e as que já fixaram residência em Cuiabá. A metodologia é a Cartografia do Imaginário com suas categorias de interpretação que sustentarão as tecituras desta pesquisa: a água (formação), a terra (deformação), o fogo (transformação) e o ar (reformação).  A pesquisa em fase de elaboração da tese, entrevistou 12 mulheres imigrantes que nos desvelaram, por meio de perguntas abertas, seus saberes e conhecimentos sobre os temas abordados. Até o momento nossa compreensão das entrevistas nos mostram que mesmo sendo consideradas refugiadas ambientais, tais mulheres que migram não têm essa consciência, também não tem entendimento de como o fenômeno do colapso climático influência em sua migração, nos mostrando também que existem muitas carências em relação às mulheres migrantes no Brasil, de formação, autonomia e políticas.  Acreditamos que os resultados nos levarão à compreensão dos motivos do movimento da migração feminina por direitos humanos e justiça climática, os quais nos possibilitarão elencar elementos pedagógicos para um entrelaçamento sobre gênero e migrações em políticas públicas, pelas trilhas e traçados da Educação Ambiental.


Palavras-chave


Educação Ambiental; Justiça Climática; Mulheres Migrantes; Direitos Humanos.