Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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DESENVOLVIMENTO DE NANOSSISTEMAS COM ÓLEO DE PEQUI (Caryocar brasiliense Cambess) PARA NANOESTRUTURAÇÃO DO ARTEMETER E AVALIAÇÃO DO POTENCIAL ANTITUMORAL IN VITRO
Jader Pires, Aline Gomes Batista da Conceição, Suéllen Alves Costa, Karoline Paiva da Silva, Stela Regina Ferrarini, Cláudia Marlise Balbinotti Andrade

Última alteração: 09-10-19

Resumo


O glioblastoma destaca-se entre os tumores do sistema nervoso central por este apresentar a maior taxa de mortalidade e tempo de sobrevida estimado entre 6 a 15 meses. Dentre os fatores que contribuem para esse prognóstico destacam-se a restrita permeabilidade da barreira hematoencefálica e a toxicidade dos quimioterápicos. Pesquisas visando novas alternativas terapêuticas, têm sugerido que os derivados da artemisinina, como o artemeter, representam uma classe de lactonas sesquiterpênicas semissintéticas com atividade antitumoral de amplo espectro. No entanto, o artemeter apresenta características que limitam sua ação farmacológica, como baixa biodisponibilidade, baixa solubilidade em água e instabilidade físico-química. A nanoencapsulação pode ser uma alternativa para viabilizar o uso do artemeter, uma vez que os nanossistemas apresentam tamanhos submicrométricos e, assim, podem carrear o fármaco através de barreiras biológicas, além de manter o nível sérico por mais tempo, potencializando sua ação farmacológica e reduzindo efeitos tóxicos. Considerando a elevada letalidade dos glioblastomas, a ineficácia das terapias vigentes e a perspectiva de uso do artemeter para esta finalidade, o objetivo deste trabalho foi desenvolver nanocápsulas poliméricas de núcleo lipídico, contendo óleo de pequi como agente estruturante, para o nanocarreamento do artemeter e avaliação do seu efeito em células de glioblastoma humano (U-87 MG). As suspensões de nanocápsulas contendo óleo de pequi e artemeter (LNCART) foram desenvolvidas por deposição interfacial do polímero pré-formado e caracterizadas determinando-se o diâmetro médio da partícula, potencial zeta e pH. A citotoxicidade foi avaliada pela viabilidade mitocondrial (MTT) e a proliferação celular por coloração com sulforrodamina B. A capacidade antioxidante total e a atividade das enzimas antioxidantes foram determinadas visando avaliar o efeito do artemeter livre e nanoestruturado sobre o estado redox das células. Os nanossistemas apresentaram características que estão de acordo com a literatura para nanossistemas desenvolvidos por esta metodologia. O artemeter livre reduziu a viabilidade celular após 24h de tratamento e a proliferação após 48h de tratamento, em concentrações a partir de 40 µg.mL-1. A LNCART reduziu a viabilidade em concentrações a partir de 1,25 µg.mL-1 após 24h de tratamento e a proliferação celular em concentrações a partir de 2,5 µg.mL-1 após 48h de tratamento. A LNCART (1,25 µg.mL-1) também induziu a atividade da SOD e reduziu a atividade da GR. Entretanto, esse efeito não foi observado quando as células foram tratadas com artemeter livre na mesma concentração. Estes achados condizem com o mecanismo proposto para a ação do artemeter, relacionado à indução do estresse oxidativo, além de indicarem a potencialização da ação antitumoral do mesmo. Através dos dados apresentados, concluímos que o óleo de pequi apresenta características adequadas para ser utilizado como agente estruturante no desenvolvimento de nanocápsulas contendo o artemeter, bem como outros quimioterápicos e abrimos a perspectiva de estudos mais aprofundados sobre esse nanossistema.

Palavras-chave


Glioblastoma humano; Nanocápsulas poliméricas; Quimioterápico