Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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DISCURSOS SOBRE A BELEZA: UMA QUESTÃO DE GÊNERO
Bruna Passanezi Budoia

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Esta pesquisa — ainda em estágio inicial —, inserida no campo disciplinar da Análise do Discurso, visa a analisar o modo como os discursos sobre a beleza (a denominação ainda nos parece vaga, mas acreditamos que a pesquisa nos permitirá esclarecer esse ponto) circulam na contemporaneidade, haja vista a expressiva influência que exercem sobre nossa sociedade, principalmente sobre o gênero feminino. Do ponto de vista teórico-metodológico, apoiamo-nos sobre a noção de unidades não-tópicas de análise conforme propõe Dominique Maingueneau (2008). Pretendemos organizar um corpus próximo da noção de formação discursiva unifocal (Maingueneau, 2008) composto por um conjunto de enunciados oriundos de diversos gêneros discursivos, de campos e discursos heterogêneos, desde os especializados aos leigos, orais ou escritos, mais ou menos institucionalizados — mas que estão, e é importante que se diga, profundamente inscritos na história. Nossa hipótese é de que, atualmente, esses discursos da beleza extrapolaram campos que, inicialmente, lhe pareciam mais afeitos, como o da publicidade ou da estética, por exemplo, e passaram a circular por outros que, em tese, não se sentiriam como que “obrigados” a tratar da questão, como os campos médico e científico — ou que a tratariam de modo diverso do que temos notado. Foucault observa, em relação aos regimes de produção de verdades, que ocorre que, em certos momentos, discursos alheios aos regimes de produção de verdade passam a se sentir “pressionados” por tais regimes (é o caso de uma certa literatura realista, por exemplo). Dito de outra forma, haveria uma espécie de pressão que os discursos sofrem para se inserirem no “verdadeiro” de uma determinada época (FOUCAULT, [1971]2004). Parece-nos aqui que o movimento é, em alguma medida “invertido” — se é que podemos dizer assim —, pois é como se houvesse toda uma pressão de questões de ordem “estética” exercendo pressão sobre discursos até então alheios a elas. Consideramos este aspecto de extrema relevância para a compreensão dos debates relacionados às questões de gênero, uma vez que eles não afetam igualmente a toda a sociedade.

PALAVRAS-CHAVE: unidades não-tópicas; formação discursiva; beleza; gênero.