Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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MULHERES E JUVENTUDE CAMPONESA: EXPERIÊNCIAS DO TRABALHO, DA EDUCAÇÃO E DA PRODUÇÃO ASSOCIADA NO ASSENTAMENTO ROSELI NUNES EM MIRASSOL D'OESTE- MT
Eva Emilia Freire do Nascimento Azevedo

Última alteração: 26-09-19

Resumo


Esse trabalho é resultado de uma pesquisa de doutorado, desenvolvida a partir do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho e Educação (GEPTE), na linha “Movimentos Sociais, Política e Educação Popular”, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A pesquisa foi realizada no Assentamento Roseli Nunes (Mirassol D’Oeste- MT), conquistado por meio de um intenso processo de luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), onde hoje vivem mais de 331 famílias, que em sua maioria, produz a existência a partir da agricultura, especialmente, a agroecológica. O objetivo geral da pesquisa foi “conhecer as experiências, limites e expectativas do Trabalho e da Produção Associada para as mulheres e juventude do Assentamento Roseli Nunes- Mirassol D’Oeste- MT e de que forma os vivenciam enquanto princípio educativo, articulado a um movimento mais amplo em defesa de outro projeto societário e enquanto possibilidade para sua permanência no campo”. Fundamentada no materialismo histórico dialético, a pesquisa utiliza elementos da pesquisa participante, como ainda faz uso de entrevistas, rodas de conversa, observação participante e registros em diário de campo (instrumentos e técnicas de pesquisa). A Produção Associada se caracteriza especialmente pela organização dos/as trabalhadores/as, que não dividem apenas os meios e instrumentos de produção, mas também a gestão, os ônus e os bônus decorrentes do trabalho coletivo. Em oposição ao modo de produção capitalista, nessa produção estão marcadamente presentes valores como solidariedade, cooperação, não exploração de uns sobre os outros, democracia, comensalidade, saberes decorrentes da vida e do trabalho. Dentre os resultados encontrados, destacam-se: a liberdade de escolher produzir de forma coletiva – não mais exclusivamente em seus sítios –; o aprendizado decorrentes da diversidade de opiniões e experiências de cada sujeito; o processo coletivo de tomada de decisão; a participação em todas as etapas da produção; a resolução de conflitos; os desafios de produzir de forma agroecológica em meio ao avanço e às investidas do agronegócio; as condições objetivas para escoamento e comercialização da produção; a não continuidade dos grupos de jovens; a falta de recursos para realização das atividades etc. Percebe-se em diversos momentos, nas falas dos/as entrevistados/as, a crítica ao sistema capitalista, às desigualdades, à exploração, ao trabalho em seus moldes mais perversos. Contudo, poucas pessoas expressam de maneira mais contundente a defesa de uma outra sociabilidade, que supere a que hoje temos. Mesmo diante de um contexto diverso, heterogêneo, marcado por conflitos e contradições, nota-se que as experiências de Produção Associada estudadas embora se apresentem muito ainda como estratégia de geração de renda, foram e são importantes na articulação de saberes, na reflexão, na formação de sujeitos críticos, podendo significar resistência, superação da individualidade, produção de alimentos livres de veneno, como ainda, a formação – dentro da realidade concreta e da consciência possível –, de um embrião de outra forma de produção da vida, onde possam encontrar estratégias para resistir e se contrapor aos ditames do modelo hoje vigente e na construção de outro tipo de sociedade.


Palavras-chave


Trabalho, Educação e Produção Associada.