Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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História das Greves dos Trabalhadores da Educação Básica Pública de Mato Grosso de 1989 a 2000.
Vania Maria Rodrigues Miranda

Última alteração: 20-10-19

Resumo


Objeto de pesquisa: as greves dos trabalhadores da educação básica pública de Mato Grosso no período de 1989 a 2000.

A escolha do recorte se dá, em referência um ano após a promulgação da Carta Constituinte em 5 de outubro de 1988, na qual garantiu o direito de greve, a livre organização sindical, ao ano da publicação da Constituição Estadual em 1989. Do início de uma reorientação da organização sindical com novas pautas, o movimento propositivo nos anos 2000.

As fontes utilizadas na pesquisa são a fonte escrita e oral, sendo: as atas das assembleias pertencentes ao Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso; matérias de jornais veiculados pela imprensa no período das greves; e entrevistas com dirigentes e ex-dirigentes do SINTEP-MT. Em relação às fontes orais, estou aguardando o parecer do Comitê de Humanidades da UFMT.

O referencial teórico a ser utilizado é o marxista, o pensamento dialético como método de análise da realidade, utilizando a própria prática como argumento e as categorias: historicidade, totalidade e contrariedade.

No decorrer do período de 1989 a 2000, as greves foram constantes, isso em razão da política e postura adotada pelo governo. Em 11 anos foram 12 greves com a duração de mais de trinta dias correntes.

Resultados parciais:

  1. Uma categoria que aponta desafios na organização e mobilização, isso é observado nas deliberações das assembleias gerais, cito a proposta de um representante por escola. Entretanto, manteve greves por mais de 30 dias, chegando a 62.

  2. A unificação dos trabalhadores da educação se consolida na década de 90, embora o governo tenha apresentado resistência. A imprensa ao divulgar a greve como sendo de professores e não trabalhadores da educação, cito como exemplo o Jornal do Dia 20 de fevereiro de 1991 “Professores ameaçam invadir a AL se não sair salários atrasados.”

  3. Verifica o avanço na pauta de reivindicação como o debate de como se dá o ensino aprendizado, a construção curricular.

  4. A formação política e sindical que o movimento proporcionou. Lideranças sindicais que hoje são referências, nacional. Como professor João Monlevade, Carlos Abicalil e outros.

  5. Observa e confirma as conquistas que se tornaram referência como a Lei 050/98 LOPEB, aponta o Piso, hora atividade, paridade no salário, profissionalização dos trabalhadores. Lei do Sistema de Ensino e Gestão Democrática.

  6. Única categoria que repõem os dias parados. Os trabalhadores passam a apresentar propostas para as reposições, garantindo o direito ao estudante.

  7. Percebe a participação de outros atores, dando apoio ao movimento grevista, intermediando e cobrando o governo (pais, estudantes, deputados e representantes da igreja).

  8. Os avanços e manutenção dos direitos vão depender da resistência, da capacidade de organização, mobilização, pressão dos trabalhadores da educação e da resposta da política de governo adotada, no momento em que o governo visa o desmonte da legislação existente.


 

 


Palavras-chave


greve, trabalhadores da educação.