Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Nos domínios da Edição nas audiovisualidades contemporâneas.
Alessandro Flaviano de Souza, Andréa Ferraz Fernandez

Última alteração: 17-10-19

Resumo


Ao propormos uma discussão sobre a edição audiovisual no delinear dos estudos de cultura e dentro das poéticas contemporâneas, encontramos as conexões com a modernidade e a colonialidade nas audiovisualidades contemporâneas. Tais relações são frutos dos modos de existir nas dinâmicas geopolíticas atuais, nos quais o social e a forma de vida liberal fundamentam a existência do cultural e das apropriações de trabalho e do entretenimento.  Neste contexto, questiona-se como a edição atua para organizar a narrativa dentro da lógica fabril do audiovisual no contemporâneo. Tomamos como objetivo discutir a edição enquanto interface entre a realização audiovisual e a modernidade/colonialidade na cultura contemporânea. As séries on-line refletem um pensamento hegemônico da indústria do entretenimento audiovisual onde a edição influencia e é influenciada pelos fazeres do audiovisual e pelo cultural. Assim, a edição desempenha um programa político, epistemológico e intersubjetivo nas audiovisualidades contemporâneas. Ela organiza a narrativa e procedimentos dentro da lógica fabril de realização audiovisual. Sendo uma pesquisa qualitativa, por buscar entender a qualidades das causas do problema, neste recorte, prevê a análise de séries difundidas por streamers on demand como o Net Flix. Optamos pela edição como método de coleta de dados para a composição de um painel com os conceitos que atravessam a edição de séries on-line. A análise dos dados se dá com a formação de uma tabela descritiva/comparativa na relação entre as dimensões forma/texto audiovisual, processo/prática cultural e contexto/prática social. Também em intersecção  com os estudos de Walter Mignolo referentes a epistemologia, a política e a intersubjetividade; os preceitos de Enrique Dussel quanto a teoria da libertação. Estes autores operam como organizadores do pensamento para discussão, na relação com os formantes do conceito de edição de cada série analisada. O recorte da pesquisa está nas séries 3% (BRA), Edha (ARG) e Fronteira Verde (COL). Entre os resultados parciais encontramos a série Fronteira Verde sendo a que mais se aproxima de uma estética decolonial possibilitando maior contemplação em oposição à edição das outras duas, mas principalmente pela crítica à interferência dos interesses externos nos modos de existir enquanto atravessamento cultural. Edha apresenta maior permeabilidade de atravessamentos da modernidade como ciúmes, inveja, competitividade, mentira e apego à construção da beleza. Na série brasileira 3% o projeto de edição, mesmo com vários editores numa temporada, apresenta-se alinhado ao processo fabril do audiovisual e sua bem determinada orientação de mercado, assim como em Edha. Entre as manobras obscuras da modernidade, ainda que Fronteira Verde se destaque como uma realização decolonial, fica enredada nas tessituras das intencionalidades do mercado para o entretenimento. Entendermos a edição como interface cultural, obriga-nos a percebê-la enquanto um campo de ligação e interação entre modos de existir e atravessamentos culturais, onde circulam as intencionalidades. A edição audiovisual opera como organizadora dos modos de produção audiovisual, dos atravessamentos culturais e intencionalidades da modernidade-mundo. Ao trazer este tema, esperamos ajudar a compor outras formas de conhecer e ampliar as discussões sobre o papel que exerce a edição audiovisual dentro da chave cultura contemporânea e decolonialidade.

Palavras-chave


Séries online; Edição audiovisual; Atravessamentos; Decolonialidade; Interface cultural