Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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AVALIAÇÃO DOS EFEITOS REDOX DO CARVACROL EM ENSAIOS QUÍMICOS
Marilene Gonçalves Gonçalves Queiroz, Marcos Roberto De Oliveira

Última alteração: 09-10-19

Resumo


O estresse oxidativo ocorre devido a um desequilíbrio entre as espécies reativas de oxigênio, e a capacidade antioxidante (enzimática e não enzimática) do organismo, promovendo um aumento abrupto dos marcadores de dano redox. O aumento exacerbado de espécies reativas de oxigênio e de nitrogênio pode ocasionar danos a macromoléculas, como lipídios, proteínas e ácidos desoxibonucléicos (DNAs). Esse danos são associados a doenças neurodegenerativas e ao diabetes melito tipo 2. Apesar de existirem diversas estratégias farmacológicas no tratamento destas doenças, a maioria dos fármacos conhecidos induz efeitos colaterais e não são capazes de curar a doença. Nesse contexto, o estudo de moléculas bioativas como o carvacrol, capaz de reduzir o estresse oxidativo e promover proteção mitocondrial, pode ser uma estratégia protetiva atraente. O carvacrol é um monoterpeno fenólico com baixa citoxidade e solubilidade parcial em água. Os ensaios químicos, que utilizam diferentes técnicas de mensuração da capacidade antioxidante do carvacrol, são de extrema importância para a evolução de estudos envolvendo sistemas biológicos (células e modelos animais). Nessa conjuntura, visamos analisar os efeitos antioxidantes do carvacrol em sistemas químicos. A capacidade de inibição da produção do radical superóxido foi avaliada mediante auto-oxidação da adrenalina em meio básico. As amostras foram diluídas em água, na proporção de 1:10 (v/v), e a quantidades crescentes da solução diluída (10, 50 e 100 µM), acrescidas do tampão glicina pH 10,2 a 32° C.  A solução ácida de adrenalina e a solução de catalase foram lidas no espectrofotômetro em um comprimento de onda de 480 nm durante 5 minutos, com registro de leitura a cada 30 segundos. O sequestro do radical hidroxil, gerado pela reação de cloreto férrico e ácido Dietilenotriamina Penta Acético (DTPA) na presença de ácido acético, foi avaliado por meio da degradação da deoxirribose. Para realizar esse ensaio foram utilizadas as seguintes concentrações de reagentes: 1) Solução Tampão- KH2P04-KOH, pH7,4 (20 mM); 2) FeCl4 (100 mM); 3) DTPA (104 mM); 4) H202 (1 mM) e 5) ácido ascórbico (100 mM). A leitura foi realizada em 520 nm. A determinação da atividade antioxidante total do carvacrol foi realizada por método de captura do radical livre DPPH. Um controle negativo foi realizado pela adição de metanol e DPPH; já para o controle positivo utilizou-se vitamina C e DPPH. Adicionou-se a cada concentração de carvacrol uma solução de DPPH (0,004% m/v). As leituras das absorvências foram realizadas no espectrofotômetro a 515nm. O carvacrol apresentou efeito antioxidante de forma dose dependente, induzindo um aumento significativo na taxa de auto-oxidação de adrenalina em todas as concentrações. No ensaio de desoxirribose, as concentrações 50 e 100 µM de carvacrol reduziram o dano oxidativo, pelo sistema de indução da reação de Feton. O carvacrol também foi capaz de diminuir a formação de radical livre oriundo do DPPH em todas as concentrações testadas (teste de ANOVA uma via e post hoc de Tukey; p <0,05; diferença significativa em relação ao grupo controle para todos os ensaios). Os dados apresentados colaboram para a compreensão dos efeitos redox do carvacrol e podem ser utilizados em pesquisas futuras envolvendo sistemas biológicos.


Palavras-chave


Carvacrol; estresse oxidativo; efeitos redox