Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A ESCRITA DE SINAIS E SUAS IMPLICAÇÕES/CONTRIBUIÇÕES PARA APRENDIZAGEM DE LÍNGUA DE SINAIS
Áurea de Santana Bueno, Anderson Simão DUARTE

Última alteração: 07-10-19

Resumo


A linguagem é constitutiva da espécie humana. Diante da compreensão da importância da linguagem na/para constituição do sujeito e sua relação com o Outro, com o mundo e consigo mesmo, é indispensável, portanto, a construção da sua identidade autônoma, ativa e responsiva, de acordo com os pressupostos dos estudos bakhtinianos. Nesse entendimento, a escrita é uma faceta da linguagem, marca indiscutível do avanço da humanidade. Partindo dessa premissa, objetiva-se neste trabalho analisar a aprendizagem da Escrita de Sinais (ES) pelos usuários da Língua de Sinais – ouvintes e visuais[1] (surdos), bem como as implicações/contribuições do aprendizado da ES no processo da formação holística dos sujeitos visuais. Desta forma, metodologicamente, considera-se este estudo bibliográfico de abordagem qualitativa exploratória, fundamentada nos pensamentos vygotskyanos, em específico, sobre linguagem, aprendizagem, subjetividade e as implicações que o aprendizado da escrita representa para o desenvolvimento das funções superiores do indivíduo, logo, para a constituição do sujeito; apoia-se, ainda, nos autores que discutem acerca da temática ES, em especial, Benassi (2017; 2019). Para tanto, apresenta-se de forma sucinta o mais novo sistema brasileiro de ES – VisoGrafia – como ferramenta do objeto de análise desta pesquisa: aprendizagem da leitura e da escrita de sinais. Considerando que essa escrita é a que melhor representa a imageticidade da LS que é uma Língua Imagética, além disso, é o sistema que apresenta o menor visograma, ou seja, o menor número de visografemas, apenas 37. Deste modo, o corpus para análise foi selecionado do banco de dados da tese de doutorado de Benassi (2019). Nessa perspectiva, considerando a relevância deste trabalho espera-se fomentar novas pesquisas para difusão de conhecimentos sobre a aquisição da Escrita de Línguas de sinais (ELS) na educação dos visuais, bem como suscitar reflexões sobre a importância da aprendizagem da ES que contribuam para eliminar ou amenizar as barreiras socioculturais impostas a esses sujeitos por serem privados desse conhecimento numa sociedade que, historicamente, é regida pela cultura da escrita.

[1] Termo proposto por Duarte (2016) para referir-se às pessoas com surdez parcial ou total. Para o autor, esse termo diz respeito à potencialidade linguística desses sujeitos que captam as informações pela visualidade, ou seja, pelo canal receptivo viso-espacial. Assim como os ouvintes são assim denominados em referência ao seu potencial linguístico oral-auditivo.


Palavras-chave


Aprendizagem da escrita. Linguagem. Escrita de Sinais VisoGrafia. Sujeito Visual.