Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Infecção natural vertical em culicídeos de Mato Grosso, Brasil
Raquel da Silva Ferreira

Última alteração: 09-10-19

Resumo


A infecção vertical representa a principal maneira de transmissão de vírus insetos-específicos. Esse mecanismo é responsável também pela manutenção da natureza dos arbovírus durante os períodos interepidêmicos O estado de Mato Grosso (MT), Centro-Oeste do Brasil, apresenta climas tropicais úmidos e equatoriais, que associados a outros fatores como diversidade de biomas, presença de populações de vetores e hospedeiros, além da proximidade de áreas silvestres a urbanas favorecem a circulação de vários vírus. Este estudo propôs a identificação de infecção vertical viral em culicídeos machos adultos capturados nos municípios de Cáceres, Cuiabá, Rondonópolis e Sinop, entre fevereiro de 2017 e janeiro de 2018. No total, 10.569 espécimes foram obtidos, sendo 1.139 de Aedes (Ae.) Stegomyia aegypti, 9.426 de Culex (Cx.) quinquefasciatus, 3 de Culex sp. e 1 de Psorophora albigenu alocados em 267 pools, de acordo com a espécie, local e data da coleta. Esses pools foram submetidos a extração de RNA viral e protocolos de RT-PCR para 10 flavivírus, cinco alfavírus e sorogrupo Simbu de ortobunyavírus. Pools positivos foram submetidos a três passagens em células VERO (alfavírus e ortobunyavírus) ou células C6/36 (flavivírus) e posteriormente sequenciamento Sanger. Resultados parciais indicam oito pools de Cx. quinquefasciatus positivo para Chikungunya (CHIKV), treze para o vírus Mayaro (MAYV), um para o vírus Oropouche (OROV) e nove para o vírus Zika (ZIKV). Destes, dois de ZIKV foram isolados em p1, um de CHIKV e dois de ZIKV em p2 e sete de CHIKV, treze de MAYV, um de OROV e cinco de ZIKV em p3. Cinco pools de Ae. aegypti foi positivo para CHIKV, um para o vírus Ilhéus (ILHV), um para o ZIKV, um para o dengue 4 (DENV-4) e um para o vírus da Febre Amarela (YFV). Três arbovírus foram confirmados por sequenciamento, sendo OROV, YFV e MAYV. Além disso, o RNA extraído de alguns pools foi sequenciado em uma plataforma MinION, resultando na identificação de dois novos vírus putativos: uma sequência de 461 pb, com 53,75% de semelhança com o vírus Negev e outra sequência 592 pb, com 55,67% de semelhança com o vírus Córdoba. Ambas as sequências codificam entre o domínio da metiltransferase e do RNA ribossômico da metiltransferase de um Negevirus, gênero Nelorpivirus, em um pool de Cx. quinquefasciatus de Cuiabá. E dois segmentos, o segmento L (1047 pb) apresentou baixa similaridade (34,06%) e outro segmento S (450 pb) com 45,51% de similaridade com o Phasi Charoen-like, gênero Phasivirus, família Phenuiviridae em um pool de Ae. aegypti de Sinop. Arbovírus e vírus inseto-específicoss são frequentemente classificados na mesma família de vírus, compartilhando ancestrais comuns. Estudos metagenômicos demonstraram que os ISVs compreendem um grupo de vírus surpreendentemente diversos e antigos.


Palavras-chave


transmissão transovariana, transmissão transovo, Culex quinquefasciatus, Aedes aegypti, culicídeos