Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Educação Ambiental e Justiça Climática: “Cantos de pássaros cegos”
Giselly Rodrigues das Neves Silva GOMES, Michèle Sato, Regina Silva

Última alteração: 01-10-19

Resumo


A invisibilidade das pessoas com deficiência visual, seja nos estudos e debates climáticos, como nos diferentes segmentos da sociedade civil, foi um dos motivos que provocaram o interesse desta pesquisa de doutorado [em fase final], a qual se insere na linha de pesquisa Movimentos Sociais, Política e Educação Popular, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGE/UFMT), bem como no contexto das pesquisas realizadas pela Rede Internacional de Pesquisadores em  Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA). Sob o olhar da fenomenologia bachelardiana, e ancorando-se nos pilares das dimensões epistemológica, praxiológica, e axiológica de uma pesquisa em educação ambiental, traçamos suas rotas, perpassando água, terra, fogo e ar, presentes na Cartografia do Imaginário satiana, onde também emergem as pesquisas do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA). Assim, buscou-se compreender as dimensões de vulnerabilidade entre as pessoas cegas e com baixa visão frente aos impactos da atual crise climática, de maneira a cartografar as áreas de risco de desastres em Cuiabá, e os “lugares da intimidade” dessas pessoas, ou poderia dizer seus “ninhais”, em alusão aos “pássaros cegos”, denominação carinhosa que atribuímos à este grupo cingido pela condição da cegueira e a baixa visão. Constituíram-se como procedimentos metodológicos a pesquisa bibliográfica e documental, entrevistas de formato semiestruturado, e o georreferenciamento dos seus endereços, e de instituições como o Instituto dos Cegos do Estado de Mato Grosso (ICEMAT), a Associação Mato-grossense de Cegos de Mato Grosso (AMC), 42 escolas públicas estaduais, além de 56 creches e 81 escolas municipais, todas localizadas em Cuiabá. Deste trabalho resultou o que denominamos por cartografia das áreas de risco à enchente e inundação, no município de Cuiabá-MT, que revelam o incontestável cenário de exposição das pessoas com deficiência visual. A divulgação desses resultados durante um seminário sobre Educação Ambiental e Justiça Climática, realizado no espaço escolar do ICEMAT, revelou ainda, o quão potente é a participação social dos grupos em situação de vulnerabilidade, enquanto subsídio às políticas públicas voltadas à redução do risco de desastres diante da catástrofe climática.


Palavras-chave


Educação ambiental; justiça climática; vulnerabilidades