Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
Peregrinação inventiva da viola de cocho
Sidnei Moura Duarte, Patrícia Silva Osório

Última alteração: 16-10-19

Resumo


A viola de cocho é um instrumento musical de cordas dedilhadas usada em folguedos populares tradicionais (siriri e cururu), bem como em festas religiosas (festas de São Gonçalo e ladainhas), inicialmente encontrada na região da bacia do rio Paraguai, que abrange os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esta viola tem formato e sonoridades peculiares e é produzida artesanalmente pelos fazedores/tocadores com madeiras típicas do Cerrado. A pesquisa tem como ponto de partida principalmente os estudos iniciais feitos pelos pesquisadores Julieta de Andrade (1981) e Abel Santos (1993), que catalogaram algumas músicas tradicionais, como também, descreveram as possíveis origens, as formas de afinar e tocar, o modo de fazê-la. Com o advento das novas tecnologias passou-se a usar ferramentas elétricas como, a motosserra, a serra tico-tico e a furadeira, cola era à base de PVC, verniz, lixas com diversas texturas e encordoadas com linha de pesca, de nylon ou até mesmo de aço. A viola de cocho se faz presente em diversos municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em cada um destes locais citados acima encontra-se uma diversidade de toques, andamentos e formatos de viola. Segundo os próprios fazedores, não existem duas violas de cocho iguais, cada uma tem sua própria assinatura. Até o início da década de 2000, encontramos importantes trabalhos de pesquisas sobre a viola sob um olhar contextual da época. Atualmente notamos que surgiram novas situações de uso, encontramos hoje um mapa diferente nos modos de fazer e tocar a viola. Este instrumento foi introduzido junto aos instrumentos tradicionais de orquestra e desde então há vários registros em mídias como cds, dvds destes trabalhos com composições e arranjos feitas especialmente para viola, divulgados em vários estados do Brasil. A “OEMT” – Orquestra do Estado de Mato Grosso - fez um importante trabalho de resgate com um repertório que contemplam tanto o rasqueado cuiabano tradicional, quanto as fusões entre os mais variados estilos musicais. Em 2014 o guitarrista e luthier Caio Espíndola Schlösser “eletrificou” a viola, introduziu um captador de guitarra e trocou as cordas de nylon por cordas de aço. Este feito está registrado em um documentário chamado “O nascimento da Guitarra de Cocho”. Eu, como violeiro e pesquisador deste instrumento, fui chefe de naipe das violas da OEMT e tive a oportunidade de tocar e mostrar esse instrumento para vários locais do território nacional. Na temporada de 2015 e 2016 do circuito Sesc Sonora Brasil teve como tema as “Violas Brasileiras”, essa turnê percorreu todos os estados brasileiros, foram mais de 120 cidades do Brasil. Violeiros de cocho como o doutor Roberto Corrêa (violeiro e pesquisador), Daniel de Paula (compositor), Eduardo Santos (membro do Flor Ribeirinha), Bruno Pizaneschi (ex-membro da OEMT), Leonardo Yule (violinista e professor de viola de cocho em Chapada dos Guimarães), entre outros, estão levando esse instrumento a outros universos musicais, expandindo assim as possibilidades de execução e composição até então não imaginadas.

Palavras-chave


cultura popular; viola de cocho; modos de fazer; hibridismo cultural.