Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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MONITORAMENTO ESPACIAL DE GATOS DOMÉSTICOS EM RONDONÓPOLIS – MT: UMA ABORDAGEM AMBIENTAL, SANITÁRIA E DE MANEJO.
Juciane Maria Johann

Última alteração: 27-09-19

Resumo


O processo de urbanização está afetando a vida dos seres humanos e também dos animais domésticos. O estilo de vida da sociedade moderna gera uma demanda crescente por animais de companhia, e, pela exigência de menores espaços, além da facilidade de manejo, a população de gatos está maior, chegando a ultrapassar a de cães em diversos países, o que, segundo as estatísticas, também ocorrerá no Brasil. A relação intensa dos seres humanos com gatos oferece inúmeros benefícios, porém, quando esse convívio não ocorre de maneira responsável, é possível que esses animais transmitam diversas doenças às pessoas. Além disso, o instinto caçador dos gatos oferece riscos ambientais com possibilidade de extinção de algumas espécies. Há uma farta literatura científica demonstrando separadamente essas perspectivas em relação aos gatos, no entanto, é raro encontrar estudos que unifiquem as duas linhas de raciocínio. O objetivo de nosso estudo é analisar a ecologia do movimento de gatos domésticos, de que maneira os mesmos são manejados pelos seus tutores, os riscos de transmissão de doenças zoonóticas e da redução da biodiversidade, e também, os benefícios causados pela sua presença. Para a obtenção de resultados em relação a identificação de agentes com potencial caráter zoonótico, foram adquiridas amostras de 133 animais que vivem em diversos bairros da cidade.  76 dessas amostras (57,14%) deram resultado negativo para a presença de parasitos e 57 (42,85%) apresentaram pelo menos um tipo de parasitas. Durante a análise desses resultados, foi possível observar que a grande maioria dos animais com resultado positivo não tinham prevenção contra parasitismo e não eram animais castrados. O que se difere da realidade dos animais cujas amostras deram resultado negativo, em que a grande maioria deles haviam sido submetidos a prevenção com anti-helminticos e eram castrados ou mantidos constantemente no interior das residências. Já em relação a movimentação dos animais, para tal monitoramento, os gatos usaram coleiras contendo um aparelho de GPS, durante um período mínimo de 9 dias, obtendo pontos de coordenadas a cada 1 minuto. Os resultados preliminares deste acompanhamento nos revelam que os animais circulam por uma área média de 236 m2 por dia, e as evidencias indicam que os animais não castrados, especialmente os machos, se movimentam significativamente mais que as fêmeas. Não foram percebidas diferenças nessa atividade em relação aos locais da cidade que são amplamente urbanizados, aos que são urbanizados mas possuem alguma área verde nas proximidades ou aos locais que estão em transição entre a área urbana e rural de Rondonópolis- MT. Através destes dados preliminares, é possível observar que a castração, a restrição desses animais ao acesso à rua, e, principalmente, a prevenção com antiparasitários demonstram ser formas seguras e economicamente viáveis de prevenir tais patógenos e, assim, evitar a disseminação dessas parasitoses para outros animais e também para os seres humanos. Além disso, é importante mantê-los restritos ao ambiente domiciliar, já que os gatos são importantes predadores da fauna silvestres, e tal medida, diminuem as chances de predação por parte desses animais.


Palavras-chave


Gatos domésticos, Ecologia Urbana, Zoonozes.