Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
Estratégias de autorrepresentação no romance de Enrique Vila-Matas
Rosana Arruda de Souza, Henrique de Oliveira Lee

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Em O mal de Montano (2002), o narrador-protagonista Rosário Girondo anuncia um fator basilar para a construção de um pacto autobiográfico: a sua data e o seu local de nascimento coincidem com os do autor da obra, Enrique Vila-Matas. Entretanto, não se menciona o nome deste último em nenhum momento da história, o que nos sugere uma remodelação na maneira de encararmos o pacto e a própria tessitura das escritas de si no cenário contemporâneo. Além de emprestar para si dados do autor da realidade factual, Rosário Girondo não se deixa apreender nem mesmo como narrador, visto que confessa que seu nome é falso, e chegamos ao final da história sem saber o seu verdadeiro nome. Dessa forma, pretendemos investigar, no romance, as estratégias de autorrepresentação, levando em conta que estas refletem a própria problemática da fragmentação do sujeito contemporâneo, que se se esconde sob várias máscaras e imagens, como também a problemática das teorias sobre o autor ( sua morte e seu retorno). Em seu aporte teórico, nossa pesquisa tem como fonte principal a autoficção, conceito mobilizado por Doubrovsky (1977) para dar inteligibilidade aos casos em que o pacto autobiográfico por si só não conseguiu sustentar. A autoficção viria como elemento com o qual podemos jogar tanto com uma presença autoral, articulada por “signos de realidade” (LEE,2011 ), como com uma ausência autoral; e ainda com um espectro, pelo qual lançamos mãos de “fantasmas relevadores de um indivíduo” (LEJEUNE, 1975) ; sem, no entanto, nos predermos a um pacto exatamente, mas à maneira como os pactos, ou contratos de leitura, são remodelados na história.

Palavras-chave


o mal de Montano, autoficção, pactos