Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Estudo da Composição Química e Atividade Biológica do Extrato Metanólico do Veneno de Rhinella marina Linnaeus (Anura: Bufonidae)
Sheila Rodrigues do Nascimento Pelissari, Valéria Dornelles Gindri Sinhorin, Lindsey Castoldi, Leonardo Gomes de Vasconcelos, Domingos de Jesus Rodrigues, Eloana Benassi de Souza Ribeiro, Jacqueline Kerkhoff, Adilson Paulo Sinhorin

Última alteração: 09-10-19

Resumo


Os anuros vem sendo estudados na área de Bioprospecção por apresentarem uma fascinante fonte de compostos bioativos. Uma das espécies mais estudadas é a Rhinella marina (Linnaeus, 1758) (R. marina), conhecida popularmente por "sapo-cururu" e encontrado na Amazônia Brasileira. O objetivo deste trabalho foi estudar a composição química e a atividade biológica do extrato metanólico do veneno da R. marina. Após a extração do veneno por compressão manual das glândulas parotoides, este passou por processo de secagem, trituração e maceração em metanol grau analítico. A amostra foi submetida a banho de ultrassom por duas horas, filtrada e remacerada. No estudo da composição química foram utilizados métodos de Cromatografia líquida de ultra-alta pressão (UHPLC) acoplado ao detector por espectrometria de massas (EM). Para atividade biológica, camundongos Swiss machos (n = 108) foram divididos em 20 grupos tratados com água, solução tween 0,5% ou diferentes doses do extrato (100 μL/animal/dia, via gavagem, nas concentrações 8, 16 ou 32 μg mL-1) para o período de 7 e 30 dias, respectivamente. Ao final do tratamento, os animais foram eutanasiados e os órgãos (pulmão, coração, rim e fígado) excisados para avaliação do peso relativo, peso absoluto e análise histopatológica. Parâmetros do estresse oxidativo foram investigados no fígado: substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS), glutationa reduzida (GSH), glutationa-S-transferase (GST) e catalase (CAT). Com o estudo químico foi possível detectar 15 compostos dos quais 12 já foram descritos e identificados como produto natural da secreção cutânea de bufonídeos, sendo eles: Adipoilarginina, Pimeloilarginina, Diidrobufotenina, Suberoilarginina, Azelailarginina, 3-(N-adipoilargininila)marinobufagina, 3-(N-pimeloilargininila)marinobufagina, 3-(N-suberoilargininila)telecinobufagina,3-(N-suberoilargininila)marinobufagina, Telecinobufagina, Marinobufagina e 3-(N-suberoilargininila)bufalina. Juntos esses compostos correspondem a 94% da amostra e, os três compostos não identificados correspondem a 6%. No estudo de atividade biológica não houve diferenças significativas no peso absoluto dos órgãos. Apenas o peso relativo do pulmão apresentou diferença significativa entre as doses de 8 μg mL-1 e 32 μg mL-1. As análises histopatológicas demonstraram presença de edemas em todos os órgãos proporcionalmente ao aumento das doses nos diferentes períodos de tratamento. Além disso, o pulmão apresentou coágulos intravasculares e pequenos infiltrados leucocitários peribronquiolar. Os resultados obtidos das análises bioquímicas demonstraram aumento dos antioxidantes enzimáticos (CAT e GST) e não enzimáticos (GSH) nos grupos tratados com o veneno no período de 7 dias. O tratamento realizado com o veneno por 30 dias alterou apenas o TBARs aumentando significativamente na dose 32 μg mL-1 quando comparado à dose de 8 μg mL-1. Através dos estudos é possível concluir que os compostos presentes no veneno são: Argininilas derivadas, esteróides cardioativos e esteróides ligados a argininilas. Também que houve ação antioxidante frente às diferentes doses do extrato, uma vez que a menor dose estimulou a CAT e a maior dose aumentou a GSH. Porém, outros estudos são necessários para garantir a segurança e eficácia dos compostos bioativos presentes na amostra. Com isso o presente trabalho contribuiu com o conhecimento da anurofauna da Amazônia brasileira.


Palavras-chave


Bioprospecção; Bufonídeos; Bufadienolídeos.