Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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AS CRIANÇAS E O SEU RECREIO ESCOLAR: um estudo etnográfico sobre a ludicidade na terceira infância
Moacir Juliani

Última alteração: 01-10-19

Resumo


Essa tese que ora se apresenta para seu exame de qualificação tem como objetivo cardeal compreender o recreio escolar como um espaço-tempo de manifestação da cultura lúdica, bem como as relações que se tecem além das salas de aula, no seu grau de importância formativa. Outro objetivo tão importante é o de reconhecer as culturas lúdicas que se apresentam no tempo do recreio, a partir de sua natureza, seus ritos e negociações. Um terceiro é o de analisar as relações que se ligam ao ócio criativo, desenvolvidas que são no mesmo espaço-tempo. Do quê brincam essas crianças? O que há de fértil nestas atividades? Que criatividade emerge desse autotelismo? Quais as especificidades da cultura lúdica se manifestam na atualidade? Essas foram algumas questões que a investigação ousou enfrentar elegendo um referencial teórico que nos ajudassem na organização do assunto, na companhia de Brougère, Château, Manson, Sutthon-Smith, Gomes e outros para identificar as brincadeiras comuns entre meninos e meninas, suas relações e suas retóricas. Realizou-se uma pesquisa de inspiração etnográfica, usando como loci uma escola pública, uma da rede privada e outra confessional na cidade de Cuiabá/MT. Os sujeitos de eleição são os estudantes da terceira infância. Com o trabalho, até aqui desenvolvido, foi possível constatar que o recreio escolar extrapola-se à ideia de que a ludicidade se expressa apenas nas brincadeiras infantis, manifestando-se especialmente através no jogo cênico, do simulacro, no qual se situa o jogo das relações. Foi possível enxergar que o jogo da vida, representado por essas brincadeiras, por esse “impulso lúdico”, como diria Marcuse, se potencializa também por uma cumplicidade lúdica presente no recreio escolar da atualidade; nas oposições dos estudantes perante às autoridades constituídas; nas disputas de gênero; na hierarquização dos grupos e singularização de sujeitos e suas identidades, para lembrar Mcluran; na reporodução de jogos semelhantes aos do bairro. Toda essa manifestação nos equipou para pensar que o recreio e o mundo real, que se materializa dentro da escola subjaz um discurso que se situa no progresso enquanto os estudantes evidenciam a retórica do self.


Palavras-chave


Recreio Escolar, Cultura Lúdica, Relações Infância