Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

Tamanho da fonte: 
O cisgênero pós-humano: biologicismo, cristianismo, sexualização promíscua e falsificação de gênero em discursos de ódio espetacularizados
Lucas Guerra da Silva, Flávio Luiz Tarnovski

Última alteração: 17-10-19

Resumo


O cisgênero, categoria inexistente até a discussão acerca deste estranho, porém, familiar ao transgênero, reinventa sua naturalização nas redes sociais a partir da publicação de discursos que o reposiciona como diferente de seu suposto oposto, o não-cisgênero. Tal reposicionamento é espetacularizado em variadas plataformas de mídias sociais, e, aqui, os enunciados são oriundos de comentários públicos do Facebook. Os enunciados tratam daquilo que será entendido como “discurso de ódio”, não caracterizado na pesquisa como conceito do âmbito jurídico-criminal, mas da revelação do que tem sido significado a partir de relações objetais de ódio e agressão por pessoas cisgêneras quanto às pessoas trans. Os objetos de ódio passam pelo crivo do pensamento, linguagem, tornam-se textos, e espetacularizam-se nesse espaço-tempo que produz afetações de outra magnitude, que é a internet. A psicanálise das relações objetais é invocada para a leitura destas significações, trançada com corrosivas teorias de gênero. O objetivo é interpretar elementos objetais de ódio e agressão introjetados em pessoas cisgêneras com relação a pessoas não-cisgêneras, em discursos públicos espetacularizados no Facebook. A metodologia corresponde (1) Coleta de dados: a estratégia foi capturar prints de discursos de ódio públicos de pessoas cisgêneras em comentários de matérias jornalísticas que faziam referência a pessoas trans ou a população LGBTI, publicadas no Facebook por portais com checagem de fatos, como G1 e UOL, nos meses de junho, julho e agosto de 2019, produzindo um universo de aproximadamente dois mil comentários. (2) Análise dos dados: os prints foram organizados quanto a frequência dos temas presentes como conteúdo; e, portanto, o primeiro âmbito de análise será temática. As quatro maiores frequências temáticas espetacularizadas contra as pessoas trans foram a partir de discursos: biologicista; religioso cristão; que sexualizam de forma promíscua; e que remetem a falsificação de gênero. No entanto, outros âmbitos também serão analisados na tese ao trançar os enunciados à psicanálise das relações objetais e à fabulação especulativa. Os resultados quanto as categorias: (1) “Discurso biologicista” se refere aos enunciados que representam naturalização do corpo biológico como essência de uma identidade de gênero cisgênera: “Fazer a cirurgia de mudança de sexo e a hormonioterapia para forçar o corpo ser o que não é” [comentário 01]. (2) “Discurso religioso cristão” se refere a essa estrita construção moral: “Nenhum homem deverá ter relações com outro homem; Deus detesta isso. Levítico 18:22” [comentário 02]. (3) “Discurso de sexualização promíscua” se refere a relação estabelecida entre identidade de gênero não-cisgênera e uma sexualidade promíscua: “A noite faz extra nas cabines dos caminhões estacionados nos postos!” [comentário 03]. (4) “Discurso de falsificação de gênero” se refere a denunciar uma suposta farsa de gênero, quando não se é cisgênero: “[…] um juiz não deveria conceder ninguém a falsificar documentos para enganar os outros dizendo serem do sexo oposto” [comentário 04]. A pesquisa encontra-se em processo de análise de dados, e traduz-se de forma sucinta nos resultados apresentados.

Palavras-chave


Cisgeneridade; Discursos de ódio; Espetacularização