Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Título: O Desafio de James Joyce
Pedro Henrique Nunes Garay

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Resumo: Ao pensar em Ulisses, de James Joyce, uma dúvida frequente a respeito da recepção da obra atenta-se ao porquê de muitos leitores não conseguirem terminar o romance, tornando-se um feito quase homérico chegar ao seu final. Podemos olhar ao fato de que Joyce desafia o leitor a passar pelas mesmas dificuldades enfrentadas por Ulisses, o rei de Ítaca, durante o percurso da leitura. Na Odisséia, o herói demorou mais de 10 anos para voltar ao seu reino, isso, depois de já passados 10 anos de conflito na cidade troiana, cujo relato é descrito por Homero, na Ilíada. Por não ser um herói com descendência divina, a perseverança no enfrentamento das dificuldades era a principal qualidade compensatória à sua fragilidade humana. Este é o ponto a partir do qual esta análise começa, interessada  na construção de Ulisses, publicado em 1922. A dificuldade da obra subscreve o desafio feito aos leitores, se eles seriam capazes de terminá-la, semelhante às adversidades passadas pelo personagem mítico, guardadas as proporções simbólicas. Num primeiro plano, Joyce estabelece a mudança estrutural das grandes epopeias ao romance do século XX, sem o amparo dado pelos deuses (LUKÁCS: 2000); num segundo plano, o homem moderno é diminuído ante a progressiva conjuntura burocrática, tecnológica, temporal, entre outras coisas, que chegou ao ponto de ele não ter a mesma perseverança de Ulisses: o homem contemporâneo é fragmentado pelo ritmo fabril, simbolizado por este leitor incapaz de terminar uma obr a com atributos homéricos.

Palavras-chave: Ulisses; Joyce; contemporâneo.