Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Do sangue do cordeiro ao sangue do infiel: a violência na retórica militarista de Bernardo de Claraval (1090-1153) em De laude novae militiae
Rebeca Bessa De oliveira

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Os séculos XI e XII testemunharam intensas transformações, principalmente na mentalidade cavaleiresca. Os movimentos de paz iniciados desde o século X introduziram elementos importantes na concepção de violência e guerra na sociedade medieval. Em tese, o cavaleiro passou a ser um soldado dos desígnios divinos a exportar para o oriente a violência outrora praticada contra seus semelhantes. Desta forma, a cavalaria ganhou novos moldes e aos poucos foi sacralizada pela Igreja. Toda forma de guerra seria justa se cometida contra os inimigos da fé cristã e da Igreja. Neste contexto, os Templários ocuparam um papel importante no processo de “cristianização da guerra”. Para entender melhor essa ordem e sua construção, trabalhamos um dos escritos de Bernardo de Claraval (1090-1153), intitulado De laude novae militiae. Monge de Cister e abade de Claraval, foi um personagem importante do século XII. Dono de uma retórica explicitamente militarista, chamou muitos para a segunda cruzada e incentivou a guerra em nome de Cristo. Bernardo fabricou em vários de seus apontamentos um imaginário, dando vida a um cavaleiro ideal a partir de referenciais monásticos. A nova milícia proposta por ele se diferenciaria das outras, pois seu comportamento deveria ser moldado segundo os padrões celestiais. Homens que acima de tudo serviam aos céus, lutando e rezando. Ao vislumbrar o ideário bernardino, o colocaremos em oposição com um cavaleiro “real” que, em certa medida, carregou consigo um “espelho” das sociedades violentas nas quais estava inserido. Assim, o pragmatismo da vida militar fez com que eles fossem mais cavaleiros do que monges, indo na contramão do milites idealizado por Bernardo de Claraval. Assim, nosso objetivo é confrontar esse “monge-guerreiro” das narrativas bernardinas o aproximando das possíveis realidades que o distanciam de um modelo santo e os deixa cada vez mais do humano, o que evidencia os limites da tentativa de conversão religiosa de uma cavalaria historicamente violenta e com demandas próprias.

 

Palavras-chave: Violência; Cavaleiro; Cristianização


Palavras-chave


Violência; Cavaleiro; Cristianização