Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Caracterização epidemiológica, clínica e molecular da cromoblastomicose no estado de Mato Grosso
Armando Guevara, Andreia Ferreira Nery, Vânia Aparecida Vicente, Marcia Carvalho Melhem, Lucas Xavier Bonfietti, Flavio Queiroz-Tellez, Leticia Rosseto Cavalcante, Rosane C Hahn

Última alteração: 09-10-19

Resumo


Cromoblastomicose é uma doença crónica produzida por fungos, a qual acomete a pele e o tecido celular subcutâneo. Os fungos causadores desta doença estão presentes no solo, plantas e madeira em decomposição, afetando principalmente pessoas em idade produtiva que trabalham com plantas e produtos do solo como os agricultores. O Brasil é um dos países mais afetados pela cromoblastomicose, mas a real incidência e prevalência desta doença são desconhecidas. Até agora, o estado de Mato Grosso não registrou notificação de casos na literatura científica. Esta região tem todas as condições para a presença da cromoblastomicose: clima tropical úmido, ecossistemas diversos, ampla biodiversidade e uma importante produção agrícola e pecuária, portanto possui uma grande população de trabalhadores do campo expostos aos ecossistemas onde os agentes etiológicos da cromoblastomicose estão presentes. Este projeto tem como objetivo conhecer as características epidemiológicas, clínicas e moleculares da cromoblastomicose e seus agentes etiológicos em pacientes do estado de Mato Grosso atendidos no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) no período de janeiro de 2016 até junho de 2021. Realizar-se-á um estudo epidemiológico, observacional, de corte transversal que incluirá análise de dados secundários (prontuários e outros registros médicos), com registro de características clínicas, laboratoriais e evolutivas de pacientes portadores de cromoblastomicose. Serão selecionados pacientes com 18 anos ou mais, de ambos os sexos, com diagnóstico clínico e micológico de cromoblastomicose atendidos no HUJM no período de janeiro 2016 até outubro de 2019, cujos isolados estejam preservados na micoteca do Laboratório de Investigação da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso e pacientes com diagnóstico clínico e micológico de cromoblastomicose atendidos no período de novembro de 2019 até junho 2021. Após selecionados os pacientes, serão obtidos dados demográficos, clínicos e laboratoriais, através da aplicação da ficha de atendimento elaborada especificamente para este fim e nos pacientes atendidos desde novembro de 2019, serão coletadas amostras para diagnóstico micológico. Os fungos obtidos serão identificados até o nível de gênero pela observação microscópica. A identificação de espécies será feita através da amplificação e sequenciamento da região ITS1-5,8S-ITS2 do gene do DNA ribossomal (rDNA Internal Transcribed Spacers)  e o gene da β-tubulina (TUB1). Determinar-se-á a susceptibilidade aos antifúngicos pela técnica de microdiluição em caldo, os antifúngicos utilizados serão: itraconazol, voriconazol, 5-fluorocitosina, terbinafina e anfotericina B. Para estabelecer as relações clonais e a diversidade genética das espécies identificadas, os isolados de uma mesma espécie serão comparados entre eles pelas técnicas RAPD-PCR e ERIC-PCR e serão construídos dendogramas usando o Coeficiente de Similaridade de Dice e o algoritmo UPGMA. Os padrões de bandas com Coeficiente de Dice superior a 80% serão considerados clonalmente relacionados.

Como resultado deste projeto, espera-se caracterizar a cromoblastomicose no estado de Mato Grosso, determinar quais são os fungos causadores da mesma e o tratamento mais adequado para os pacientes desta região. As descobertas obtidas visam melhorar a compreensão da doença, o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes, diminuindo os custos familiares, sociais e econômicos que acometem o paciente e o Sistema Único de Saúde.


Palavras-chave


Cromoblastomicose, epidemiologia, doenças infecciosas