Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Um olhar bakhtiniano sobre as narrativas áridas de Vidas Secas e Os Flagelados do Vento Leste
Adriana Garcia Araújo

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Resumo: Este trabalho realizará um estudo comparado entre dois romances cânones da escola literária neorrealista: Vidas Secas (1938), de Graciliano Ramos, e Os Flagelados do Vento Leste (1960), de Manuel Lopes, pertencentes à Literatura Brasileira e à Literatura Africana, respectivamente. O objetivo é analisar a constituição subjetiva das personagens protagonistas, a partir da teia discursiva engendrada nas obras, focalizando a concepção de sujeito e de realidade que embasou a produção das narrativas. Para tanto, o estudo tem como base epistêmica e metodológica a Teoria Dialógica do Discurso advinda de Bakhtin e o Círculo, bem como outros aportes teóricos levantados para construir inteligibilidades sobre as obras. Na análise, conforme preceitos bakhtinianos, levaremos em conta as relações linguísticas e extralinguísticas, históricas e concretas, a fim de constituir entendimentos sobre os sentidos originados a partir do diálogo estabelecido entre os romances. Assim, toda a envergadura dos autores dentro dos movimentos modernistas de seus países será considerada, dada a importância das obras neorrealistas para a construção de uma identidade nacional e da crítica social que elas tecem sobre as condições históricas reais, em especial, nos países que sofreram a influência cultural de seus colonizadores, como é o caso do Brasil e Cabo Verde. Buscaremos, desse modo, relacionar dialogicamente as obras com o contexto em que foram produzidas, na tentativa de demonstrar como o comportamento dos indivíduos, guiados pelas vozes que os interpelam, constrói uma consciência coletiva e influencia suas relações em sociedade e com o meio em que estão inseridos.

Palavras-chave: Vidas Secas. Os Flagelados do Vento Leste. Dialogismo.