Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Consumo de bebidas alcoólicas e estresse percebido em alunos ingressantes na universidade.
Bruna Klein Guimarães de Souza, Lídia Pitaluga Pereira, Márcia Gonçalves Ferreira

Última alteração: 30-09-19

Resumo


O consumo de bebida alcoólica tem caráter milenar na sociedade e nas mais diversas culturas. No entanto, o consumo indiscriminado contribui para um sério problema de saúde pública, atingindo grupos sociais mais vulneráveis, como os jovens universitários, por estarem mais expostos a novas experiências e mais distanciados da supervisão de adultos. Essa condição juntamente com o novo ambiente social no qual o jovem se insere favorece tanto a experimentação de bebida alcoólica, quanto o aumento do seu consumo. O consumo abusivo das bebidas alcoólicas acarreta limitações sociais, funcionais e psíquicas ao indivíduo, afetando diretamente sua qualidade de vida.  Pensando no aspecto psicológico dos alunos ingressantes na universidade, o estresse emocional mostra-se como variável relevante, podendo contribuir para prejuízos na saúde mental e qualidade de vida. O objetivo do estudo foi analisar a associação entre variáveis relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas e o estresse percebido. Estudo transversal, com estudantes universitários de 16 a 25 anos de idade, ingressantes nos cursos de graduação de período integral na Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, entre os anos de 2016 a 2018. Os dados foram coletados por meio de questionário estruturado autoaplicado. Para o consumo de bebidas alcoólicas considerou-se o consumo abusivo ≥5 doses para sexo masculino e ≥4 doses para sexo feminino, em uma única ocasião, nos últimos 30 dias. Também foi avaliada a frequência de consumo de bebidas alcoólicas nos 30 dias que antecederam a entrevista. O estresse percebido foi medido pelo instrumento Perceived Stress Scale (PSS10), validado para população brasileira e classificado em leve, moderado e elevado.  O teste do qui-quadrado foi utilizado para analisar a associação entre as variáveis de interesse. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Müller, parecer nº 1.006.048. Foram avaliados 1640 estudantes, sendo 50,4 % do sexo feminino. A prevalência de estresse percebido foi de 17,2%, 32,5% e 50,3%, para as categorias leve, moderado e elevado, respectivamente. O estresse elevado foi mais prevalente entre as mulheres quando comparadas aos homens (64,9% versus 35,4%, p<0,001). Tanto a prevalência de consumo abusivo de bebida alcoólica, quanto a frequência de consumo nos 30 dias que antecederam a entrevista foram maiores no sexo masculino (46,3% vs 33,6%, p<0,001 para o consumo abusivo e 39% vs 29,7%, p<0,001 para a frequência de consumo no mês). Não houve associação estatisticamente significante entre consumo abusivo de bebida alcoólica e estresse, em ambos os sexos. A frequência de consumo de bebidas alcoólicas nos últimos 30 dias mostrou associação com o estresse elevado entre as meninas, havendo 73,2% de prevalência de estresse percebido elevado entre aquelas que referiram consumo por três dias ou mais no mês comparadas às que referiram não consumir ou consumir no máximo duas vezes no mês (p=0,046).   Intervenções educacionais devem ser elaboradas para conscientização dos riscos do consumo de bebidas alcoólicas e minimização do estresse na comunidade acadêmica.


Palavras-chave


estresse psicológico; consumo de bebidas alcoólicas; estudantes universitários.