Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Contraposições, representações e poder na literatura indígena brasileira e na literatura indigenista peruana
Leandro Faustino Polastrini, Mário Cezar Silva Leite

Última alteração: 17-10-19

Resumo


Esta pesquisa tem o objetivo de realizar um estudo analítico e comparativo sobre como as representações identitárias podem ser utilizadas como instrumentos de poder na literatura dos escritores indígenas brasileiros: Daniel Munduruku, Eliane Potiguara, Olívio Jekupé, Tiago Haki’y; e dos escritores mestiços/indigenistas peruanos como: Jose Maria Arguedas, Ciro Alegria, Clorinda Matto de Tuner. Apresentamos como referenciais teóricos iniciais para a pesquisa nos campos: da filosofia com Pierre Bourdieu e Michel Foucault ao tratarem as relações de representação e de poder, tanto no campo simbólico, no político e no discursivo; da cultura ou dos estudos culturais com Angel Rama, Stuart Hall, Manuel Castells, Néstor García Canclini, ao tratarem sobre as identidades culturais, dos processos culturais, como a hibridação, transculturação entre outros; da crítica literária com Antonio Cornejo Polar; José Carlos Mariátegui, Zilá Bernd, Eurídice Figueiredo, Regina Dalcastagnè e etc., ao tratarem do indigenismo latino-americano na literatura peruana, das representações étnicas e das identidades na literatura brasileira e latino-americana. Vislumbramos também a aproximação da pesquisa com os estudos decoloniais com Walter Mignolo, Aníbal Quijano, Catarine Walsh, etc. A importância deste projeto está na contribuição para os estudos da literatura contemporânea no Brasil e na América Latina, ao se propor um estudo comparado entre duas manifestações literárias, tanto a literatura indígena brasileira como a literatura indigenista peruana, vislumbrando que elas (re)constroem representações identitárias/étnicas/culturais que se refletem como instrumento de poder e legitimação, cujos reflexos são estabelecidos através dos processos de contatos ou das relações entre as sociedades/culturas dominadas e dominantes. Portanto, essa pesquisa parte das seguintes hipóteses: as representações dos indígenas andinos podem apresentar pontos em comum as dos indígenas brasileiros nas narrativas e/ou poéticas de seus escritores devido às questões de ancestralidade, de cosmologias, etc., porém também podem apontar diferenças, principalmente, por fatores étnicos, geográficos e históricos. No Peru há a presença muito forte da literatura indigenista, escrita por autores considerados mestiços, o que se diferencia do processo no Brasil, talvez esse fato se dê por conta das diferentes relações socioculturais, políticas, econômicas e identitárias estabelecidas histórico-geográficas entre indígenas e não indígenas destes dois países. Sobre a metodologia a ser utilizada para a realização desta pesquisa do ponto de vista da abordagem do problema a consideramos quantitativa, já do ponto de vista de seus objetivos a consideramos como exploratória e do ponto de vista dos procedimentos técnicos/metodológicos a consideramos bibliográfica. Ressaltamos que diante de alguns pontos problemáticos que podem dificultar a realização desta pesquisa, temos pensado em realizar modificações a respeito do corpos para as análises,  destarte, substituir a autores da literatura indigenista peruana, por autores indígenas colombianos, entendendo que estes e suas produções sejam mais contemporâneos aos escritores indígenas brasileiros, fato que concederá a pesquisa maior coerência por se tratar de um estudo comparado.


Palavras-chave


literatura indígena brasileira; literatura indigenista peruana; representações e poder.