Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Símbolos da modernidade: ponderações sobre a imprensa cuiabana nas primeiras décadas do século XX.
Sandra Miria Sousa

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Símbolos da modernidade: ponderações sobre a imprensa cuiabana nas primeiras décadas do século XX.

 

Mestranda: Sandra Miria Figueiredo Sousa

Orientadora: Drª Leny Caselli Anzai

 

A modernidade durante seu percurso arrebatou e transformou todos os espaços da experiência humana. Das invenções tecnológicas, as alterações sociais, políticas e culturais, não houve um aspecto da vivência humana que permaneceu imune a sua volúpia transformadora. Nesse processo mostrou-se imprescindível desenraizar, dessacralizar, destruir os alicerces da sociedade que lhe antecedeu visando sua superação. Dois grupos se opuseram claramente: os partidários do novo e secular mundo moderno, claramente personificado nos livres-pensadores e os signatários das ideias alicerçadas em valores temporal e tradicional, grupo esse liderado pela Igreja Católica. Batalhas visíveis e invisíveis revolveram as entranhas das sociedades ocidentais. Esses valores antagônicos se digladiaram com força titânica no palco privilegiado da modernidade: a imprensa.

Entretanto, esse embate não se mostrou homogêneo e contínuo em todas as nações ocidentais. Sua heterogeneidade resultou das condições específicas de cada nação. E essas especificidades sucederam em experiências mais intensas ou imprecisas desse fenômeno. No Brasil, esse processo coincidiu, em grande parte, com a mudança do Império para a República, que dentre outras mudanças propiciou a instalação do estado laico com a separação Estado e Igreja disposta na Constituição de 1891.

Os problemas brasileiros eram distintos das outras nações que vivenciaram a modernidade em sua concretude. Com uma economia agrícola alicerçada no peso da monocultura cafeeira, com as marcas da escravidão ainda latentes, número expressivo de analfabetos, com algumas cidades despontando para o êxtase da vertigem moderna enquanto outras habitavam universos onde o conhecimento da modernidade residia nos cartões e cartas trocadas entre familiares. Nesse sentido a modernidade brasileira mostrou-se descontínua e plural.

Em Cuiabá, capital de Mato Grosso, a angústia em desejar essa vivência moderna contrapunha a uma realidade que em muito obstaculizava essa experiência. Em um estado distante dos centros decisórios do poder político e econômico, com uma produção extrativista dependente do mercado externo e com as marcas recentes dos conflitos políticos impregnando a memória da população, o que se depreende das páginas dos periódicos cuiabanos foi a angústia que permeou seus escritos. Paralela a essa batalha, outro aspecto insinuou-se nos periódicos, a atmosfera anticlerical que perpassou o período também foi vivenciada em Cuiabá. E em 1909, inserida no visível clima de enfrentamento ao clero estadual, foi fundada na capital a Liga Matto-Grossense de Livre-Pensadores e após três meses de seu funcionamento veio a público seu periódico A Reacção. Nessa visível luta de representações apreende-se a complexidade da disputa pelas consciências ocorridas em Cuiabá, no processo de instalação do Estado laico nas primeiras décadas do regime republicano. Destarte, atualiza-se em Cuiabá nas primeiras décadas do século XX o litígio que permeou os tempos modernos: os livres-pensadores em oposição à Igreja Católica. Sendo esse embate reproduzido, principalmente, nas páginas dos periódicos

Palavras-chave


A Reacção; livre-pensamento, imprensa, Cuiabá, modernidade