Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Os notáveis: a perpetuação do imaginário masculino nos livros de História de Mato Grosso (1906 a 1999)
RUAN GABRIEL DE ALMEIDA VITAL

Última alteração: 07-10-19

Resumo


A discussão das masculinidades foi construída ao longo dos anos nas sociedades ocidentais. Em uma perspectiva limitada geograficamente ao Estado de Mato Grosso, a pesquisa analisa o universo dos livros de história regional, de uso didático. A imagem do homem aparece, frequentemente, ligada à virilidade masculina, ao patriotismo, à bravura e coragem de defender a nação. Pretende-se também discutir gênero e, principalmente, masculinidade na historiografia. A presente pesquisa caminha no sentido de buscar nos enunciados, tanto na escrita da história quanto nos lugares de memória, como se cristalizam verdades históricas nos livros didáticos. Imortalizam-se sob o traçado da tinta os pioneiros dessas terras mato-grossenses.

Os estudos de gênero assim como outros questionaram todos os arquétipos erigidos ou edificados através de métodos que operacionalizaram a escrita da história. As noções de masculino e feminino ultrapassam as esferas da divisão do trabalho, constituindo-se num manual simbólico herdado, manipulado e aperfeiçoado no tempo e diferentes espacialidades. Ser Homem ou ser Mulher foi mudando no decorrer dos tempos. O livro didático e os quadros históricos possibilitam uma análise de gênero presentes nos cenários e personagens representados e no imaginário do leitor. Como diz Miguel Vale de Almeida (1996, s.p.): “Masculinidade e feminilidade não são sobreponíveis, respectivamente, a homens e mulheres: são metáforas de poder e de capacidade de ação, como tal acessíveis a homens e mulheres”.

Todavia as questões de gênero ainda passam distante dos livros didáticos. Entendemos o gênero na definição de Joan Scott (1995, p. 86): “elemento constitutivo de relações sociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos e o gênero é um primeiro modo de dar significado às relações de poder”. O homem traz uma carga de significados agregados a sua figura em todos os segmentos sociais faz com que este se sinta na plenitude entre seus pares e seus desiguais, masculinidade esta, que com o passar do tempo se aprimorou e criou novos mecanismos de dominação e subordinação, o militar além de ser o homem, também traz consigo toda essa bagagem que outorga sua legitimidade de poder entre os demais, poder este que justifica todo e qualquer ato deste.

Nos últimos anos percebemos que a percepção de gênero vem aflorando cada vez mais nos ambientes escolares e dentre outros, não por uma conscientização e sim por uma lasciva necessidade, a qual a dominação simbólica que está no masculino não abarca e satisfaz ou submete como outrora.