Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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MANIFESTAÇÕES DECOLONIAIS NO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO DO/NO CAMPO Escola Nova Sociedade – Território de (Re)Existência
Rosângela Pereira Oliveira

Última alteração: 01-10-19

Resumo


RESUMO
Este estudo descreve e compreende manifestações decoloniais no currículo da Educação do/no Campo. A problematização que o orienta centra-se na seguinte questão: que estratégias em direção a decolonialidade se evidenciam nos contextos de influência, produção de texto e prática do currículo da Educação do/no Campo? Elegemos como locus de investigação a “Escola Nova Sociedade”, situada no Assentamento Itapuí, assentamento de reforma agrária do Movimento de Trabalhadores Sem-Terra (MST), em Nova Santa Rita, Rio Grande do Sul, Brasil. O recorte temporal entre 2014 a 2018. A possibilidade e a imprescindibilidade de tornar visíveis as manifestações decoloniais nos currículos da Educação do/no Campo, tanto para a pesquisadora como educadora popular do Campo, quanto para o movimento do/no Campo, justificam este processo investigativo. No mesmo sentido, as possíveis contribuições da pesquisa com os Movimentos Populares de Educação do/no Campo para elaboração de seus currículos e a relação entre teoria crítica dialética e estudos decoloniais. O suporte epistemológico está relacionado à abordagem decolonial numa compreensão ontologicamente crítica a imposição racial/étnica, social, política, econômica e cultural, aportada nos pensamentos de Quijano (1998, 2000, 2005); Walsh (2013); Mignolo (2003, 2005, 2007, 2011) e Dussel (1994, 2007). Nessa direção, buscamos compreender a Educação do/no Campo conforme Caldart (2012) e Ribeiro (2010, 2015), como um território preferencial de disputa epistemológica (SANTOS, 2009), social e política. Desse modo, a pesquisa destaca a relevância da cultura em sua relação consistente com a política como possibilidade de construção contra-hegemônica (GRAMSCI, 1984, 1989). Nessa direção, a teoria crítica de currículo apresentada por Apple (1982), contribui com a articulação das análises propostas por esta investigação mediante a realidade da escola do/no Campo. Para o desenvolvimento desta pesquisa, optamos pelo Ciclo de Políticas como metodologia (BALL, 2011; BALL; MAGUIRE; BRAUN, 2016). Os procedimentos metodológicos estão pautados pela abordagem qualitativa crítica de caráter bibliográfico, documental, observações em locus e em entrevistas semiestruturadas. As fontes documentais compreendem os documentos da escola: Projeto Político Pedagógico, planos de ensino e o registro em caderno de campo. Foram realizadas entrevistas com 17 protagonistas do currículo, compreendendo agricultores(as) assentados(as) da reforma agrária e educadores(as). Foram considerados como critérios para seleção dos entrevistados a atuação no processo de formação da escola e/ou construção e materialização do currículo. Como resultados parciais podemos perceber manifestações decoloniais no currículo da Educação do/no Campo presentes nos textos escolares, na ocupação do espaço e na metodologia de ensino com ênfase na formação humana, sob uma concepção integralizante, em uma percepção contra-hegemônica entre as relações de ser, saber e poder estabelecidas no currículo.



Palavras-chave


Currículo da Educação do/no Campo, Decolonialidade, MST, Ciclo de Políticas.