Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Pensar a Cultura Contemporânea que o grafite revela: Ensaio sobre a condição visual como sintoma sociocultural.
Maria Regiane Barrozo

Última alteração: 17-10-19

Resumo


A arte grafite se revela atualmente de forma inédita. Sua expansão e consentimento anuncia um momento caracterizado pelo favorecimento da imagem no complexo das manifestações artísticas, pelos seus fluxos dinâmicos, fluidos, velozes, onipresentes, informativos e/ou comunicativos. Na vida cotidiana, este favorecimento também ocorre no potencial do que conhecemos como realidade em tempos de redes sociais e conexão (online) como requisito de sobrevivência em acelerado jogo de exposição e visualização. Por que, justamente nesse momento tecnológico no qual estamos presentes, a arte grafite nos reaparece adaptando-se a uma "circularidade cultural" (Ginsburg) e suporta os desafios da formação de plateia? Como o grafite vê a cultura contemporânea? A justificativa para uma reflexão sobre o momento sociocultural contemporâneo a partir de uma manifestação artística não se justifica pelo contexto estilístico ou pela imagem, interpretada ou não, ao olhar um grafite. Verifica-se o sentido, pergunta-se: como essa fonte fala sendo muda? (Rancière), exercita-se um despertar da sensibilidade ao presente. Desse modo, a pesquisa problematiza essa arte desidentificando-a do padrão ocidental que define arte visual. Construímos a tese de que o grafite se torna o paradigma da cultura contemporânea pelo caráter histórico, social e cultural que hoje o apresenta no percurso diário e comum da vida cotidiana. Com essa realidade, o objetivo em dar sentido ao que não se vê e ao que não se fala é identificarmos tendências do momento histórico presente. Objetiva-se refletir sobre nós mesmos, oferecer à sociedade modos de pensar, e possibilidades de ampliar raciocínios sobre as consequências do caminho, natural ou não, que seguimos automatizados. Temos o grafite da cidade de Cuiabá como agência de comprovações ao alcance das exigências acadêmicas, mas o repertório terá um percurso de mapeamento rizomático (Deleuze e Guatarri) guiado pelo próprio sentido da arte e da sociedade necessários para oferecer as respostas que a tese levanta como hipótese, a mesma que sugere a relação paradigmática e paradoxal da imagem no tempo presente, agenciada pelo grafite: o sintoma social da cultura contemporânea.