Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A autoavaliação dos cursos de graduação da UFMT: construindo práticas a partir do SINAES
Elizaine Bagatelli, Cristiano Maciel, Taciana Mirna Sambrano

Última alteração: 01-10-19

Resumo


De acordo com a Lei n° 10.861, de 14/04/2004, que instituiu o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), as Instituições de Ensino Superior (IES) devem realizar processos de autoavaliação no âmbito dos cursos de graduação. O princípio da autoavaliação é possibilitar um diagnóstico sobre a instituição de ensino ou de seus cursos e servir como base para a tomada de decisões para a melhoria dos processos educacionais, bem como nortear mudanças organizacionais e operativas. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo analisar em que medida a autoavaliação dos cursos de graduação tem se tornado uma prática na Universidade Federal de Mato Grosso. Esta pesquisa problematiza a autoavaliação de cursos como elemento instrumental que, além de atendimento à legislação, pode funcionar como estratégia da gestão acadêmica no âmbito dos cursos de graduação, presencial e a distância, de universidades públicas. A opção metodológica que se faz é pela abordagem qualitativa, com análise de conteúdo das entrevistas e das notas das observações no campo de pesquisa. O projeto foi aprovado pelo CEP Humanidades da UFMT, em 17/05/2018, por meio do Parecer Nº 2.659.361. Para análise dos elementos encontrados em campo, utilizam-se as categorias de Pierre Bourdieu “campo”, “capital” e habitus. Em 2017, a Pró-reitoria de Ensino de Graduação (PROEG), da UFMT, realizou um levantamento junto aos 111 cursos de graduação ofertados pela instituição naquele ano em todos os 5 câmpus universitários, sendo 106 cursos presenciais e 05 cursos a distância, inquirindo-os sobre a prática que desenvolviam em relação à autoavaliação de cursos. Entre as respostas das coordenações ao questionário enviado pela PROEG, do total de 60 coordenadores respondentes, 41 informaram que “não havia regularidade na aplicação da autoavaliação”, ou seja, 68,33% dos cursos não tinham a prática da autoavaliação. Nesta pesquisa, interessou-nos, então, conhecer, de forma amiúde, como acontecia a prática de autoavaliação naqueles 19 cursos que assinalaram que a realizavam com certa frequência. Iniciou-se, então, um estudo exploratório com envio on line de um questionário com questões discursivas aos 19 coordenadores daqueles cursos. Entre os participantes, 11 deles responderam ao instrumento, cujas respostas possibilitaram algumas constatações: 1ª. Autoavaliação prevista no Projeto Pedagógico do Curso em todos os cursos; 2ª. Não há consenso sobre o grupo responsável pela gestão da autoavaliação no curso; 3ª. Autoavaliação direcionada à apenas um segmento (docente ou estudante); 4ª. Baixa adesão (docentes e estudantes) à autoavaliação. 5ª. Entendimento geral de que a autoavaliação pode subsidiar a gestão acadêmica. De forma geral, como resultados parciais da pesquisa, percebe-se que não existe, na UFMT, uma cultura de autoavaliação dos cursos de graduação. As experiências são dispersas em alguns poucos cursos que a desenvolvem segundo critérios e entendimentos próprios do grupo gestor sem nenhuma garantia de efetiva continuidade nas gestões seguintes.


Palavras-chave


Educação Superior; Autoavaliação; Curso de Graduação