Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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A ordem imaginada. Sociedade, monstros e imaginação em Lima (século XVII)
Kawany Stephany Silva

Última alteração: 07-10-19

Resumo


Desde o início de sua colonização as Américas estavam conectadas à Monarquia Hispânica. Não me refiro apenas à organização e transposição de leis no campo político. Mas, também, sobre a conexão que se mantinha no campo do conhecimento. A circulação de ideias, princípios e concepções do mundo espanhol nas Américas, e vice-versa, desencadeou o estabelecimento de rotas e intercâmbios determinantes na formação dos mundos ibero-americanos. Esta dinâmica de troca no campo dos saberes em conjunto com os mecanismos de controle teve sua maior intensidade após o primeiro momento de colonização hispânica nas Américas. Logo depois deste intenso fluxo de migrações e instalações básicas para a criação de uma cidade seguindo o modelo espanhol, a capital do vice-reino do Peru entrou em um processo de estabelecimento social mais sólido e planejado, possibilitando, então, maior desenvolvimento e apropriação das influências recebidas. Mesmo neste momento de maior estabilidade, Lima sofria com constantes momentos de caos desencadeados tanto por terremotos, como pelo perigo das ações piratas e tantas outras perturbações da ordem. A ordenação deste espaço se deu, então, de forma complexa tendo a necessidade da elaboração de estratégias de governo e legitimação dos padrões normativos, claro, pautados em sua maioria pelos princípios e legislações definidos pela monarquia. Desse modo, o objetivo proposto aqui é analisar a circulação de saberes e os discursos sobre monstros entre a Europa e a América. Para tanto realizamos a análise de um tratado publicado em Lima no ano de 1694, de autoria do protomédico e cirurgião D. Joseph de Rivilla Bonet y Pueyo. A fonte apresenta um estudo anatômico de indivíduos que apresentam deformidades físicas e são, por isso, denominados monstros, desvios da natureza. A construção do estudo se baseia, majoritariamente, em autores clássicos da Europa antiga e moderna, transparecendo a circulação dos saberes entre estes dois mundos. São estas relações e transições do saber que propomos buscar na obra, partindo da hipótese de que o estudo sobre o monstro limenho está dentro de uma tradição de tratados sobre prodígios, mas que também carrega elementos simbólicos que revelam concepções e ideias presentes nessa sociedade.

Palavras-chave


Monstro; Lima; Saberes