Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Efeito da intervenção nutricional com alimento antioxidante sobre o dano oxidativo no DNA em células de indivíduos com risco de doenças cardiovasculares
Silvia Regina de Lima Reis, Thamires Aguiar Silva, Fabrício Rios Santos, Érica Melo Reis, Carmen Lucia Bassi Branco

Última alteração: 09-10-19

Resumo


As doenças cardiovasculares (DCVs) são a principal causa de mortalidade no Brasil e evidências indicam que o estresse oxidativo contribui significativamente para o desenvolvimento destas doenças. O dano oxidativo no DNA também tem sido relacionado a maior risco para DCVs. O consumo de antioxidantes dietéticos pode inibir esse tipo de dano, uma vez que podem eliminar as espécies reativas de oxigênio geradas em situações de estresse oxidativo. Este estudo será realizado em duas etapas, a primeira sendo um estudo transversal (em finalização) e a segunda um estudo de intervenção nutricional (previsão de início para outubro de 2019). Os objetivos do estudo transversal são avaliar o efeito dos antioxidantes dietéticos, de polimorfismos em genes relacionados com a defesa contra o estresse oxidativo (Glutationa S transferase Mu 1 (GSTM1) e Teta 1 (GSTT1)) e com o reparo de dano oxidativo no DNA (X–Ray Repair Cross Complementing 1 (XRCC1)), entre outros parâmetros, sobre o dano oxidativo basal no DNA  em leucócitos de pacientes com risco cardiovascular. Foram incluídos 136 indivíduos pareados por sexo e idade, com pelo menos um fator de risco cardiovascular: dislipidemia, hipertensão arterial sistêmica e circunferência de cintura (CC) aumentada. Coletou-se dados sobre estilo de vida, hábitos alimentares e exposição a mutágenos por meio de entrevista. As medidas antropométricas (peso (kg), altura(m), IMC (kg/m2), CC (cm), circunferência de quadril (CQ) e relação cintura-quadril (RCQ)) foram coletadas por meio de avaliação do estado nutricional. Amostras de sangue foram obtidas para as análises laboratoriais, o teste cometa e a genotipagem. A dosagem das vitaminas A, C, D, E, B9 e B12 foi realizada por análises bioquímicas. O dano oxidativo no DNA foi verificado pelo teste do cometa modificado com a enzima formamidopirimidina glicosilase. Os genótipos nulos dos polimorfismos da GSTM1 e GSTT1 foram analisados por meio de PCR em tempo real. O polimorfismo rs25487 no gene XRCC1 está sendo realizado utilizando-se a técnica de PCR-RFLP.   As análises realizadas até o momento evidenciaram que a prevalência de excesso de peso na amostra foi de 82,6%. Entre as variáveis antropométricas, apenas CC e RCQ foram significativamente maiores no sexo masculino (p <0,05). Os níveis séricos da vitamina A e B12 correlacionaram-se negativamente com o percentual de dano oxidativo no DNA de indivíduos com risco cardiovascular (r= -0,648; p=0,043 e r=-0,652; p=0,042, respectivamente).  O exercício físico não aumentou o percentual de dano oxidativo no DNA dos voluntários (p=0,085). Embora não tenha sido estatisticamente significativo, indivíduos que consumiam bebida alcoólica (p=0,072) e com polimorfismo nulo em um ou nos dois genes GST apresentaram uma tendência a maior dano oxidativo no DNA (p=0,068). Esses resultados preliminares sugerem que as vitaminas A e B12 parecem contribuir para uma redução no dano oxidativo do DNA de indivíduos com risco cardiovascular, independente da prática atividade física, do etilismo e da presença de polimorfismo nulo nos genes da GSTM1 e da GSTT1.


Palavras-chave


Vitaminas, GSTM1 e GSTT1