Sistema de Eventos Acadêmicos da UFMT, XI Mostra da Pós-Graduação

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Epidemiologia da dengue nos quatro municípios mais populosos de Mato Grosso, de 2008 a 2018
Taynná Vacaro Moura Alves

Última alteração: 09-10-19

Resumo


A dengue é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Em torno de 40% da população mundial vive em áreas tropicais e subtropicais sob risco de infecção e desenvolvimento da doença. A incidência da dengue cresceu de forma dramática nas últimas décadas ao redor do mundo, sendo que a grande maioria dos casos é assintomático e, portanto, o número real de casos de dengue é subnotificado, além de muitos casos serem classificados incorretamente. Em 2019, houve no Brasil um aumento de 600% nos casos de dengue registrados até setembro em relação ao mesmo período do ano passado. Em Mato Grosso, o número de casos notificados aumentou em 41% no primeiro semestre de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018, elevando a taxa média de incidência no estado para 351,6 casos para cada 100 mil habitantes. A epidemiologia da dengue é muito afetada pela distribuição espacial do Aedes aegypti, e esta, por sua vez, é influenciada por fatores climáticos abióticos, como pluviosidade e temperatura. Os mosquitos vetores dessa doença são muito bem adaptados às dinâmicas sociais e ao ambiente das cidades, o que faz da dengue uma enfermidade típica de áreas urbanas com características específicas. Mato Grosso insere-se neste contexto, por possuir grande área territorial, além de um regime de chuvas bem definido, clima tropical e cidades em plena expansão urbana. Este estudo busca compreender essa dinâmica entre fatores climáticos e a epidemiologia da dengue, através de análise da série histórica anual de 2008 a 2018 nos quatro maiores municípios de Mato Grosso (Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e Sinop), visando ao aprimoramento da vigilância e controle. Para o levantamento do perfil epidemiológico dos casos de dengue foi utilizado o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e IBGE. As variáveis climáticas foram obtidas através do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Esses dados foram tabulados e analisados por meio do Programa R. Foi utilizado o teste de Spearman para analisar a correlação entre número de casos, temperatura e precipitação. Os 4 municípios analisados respondem por mais de um terço da população do estado, e acumularam 87.722 casos confirmados de 2008 a 2018. Apesar de Cuiabá possuir o maior número absoluto de casos, as maiores taxas de incidência concentram-se no município de Sinop, que chegou a ter 4.256 casos por 100 mil habitantes em 2013, a maior da série histórica. Rondonópolis, ao contrário, manteve as menores taxas, seguida de Várzea Grande. A faixa etária mais prevalente foi a de 20 a 24 anos, e quase 54% dos casos de dengue confirmados atingiram as mulheres. 2009 foi o ano com o maior número de casos confirmados (21.779), e o mais letal. Dos 108 óbitos em decorrência da doença nos últimos 10 anos, 34% ocorreram somente em 2009: 20 em Cuiabá, 10 em Sinop, 4 em Várzea Grande e 3 em Rondonópolis. Houve associação significativa entre o número de casos e as médias de temperatura e precipitação total (p<0,05).


Palavras-chave


Dengue;Epidemiologia;Mato Grosso.